Após quedas, pode-se considerar o Bitcoin uma bolha financeira? Entenda

O Bitcoin acumulou queda de mais de 50% no domingo, quando comparado ao pico histórico. Entenda o que é bolha financeira e se fenômeno se aplica.

Heloisa Vasconcelos
Heloísa Vasconcelos

O Bitcoin, criptomoeda que acumulou alta de quase 140% em 2021, chegando ao pico de US$ 64,3 mil em abril, amargou perdas na última semana, sobretudo na última quarta-feira, 19. O ativo chegou a US$ 30,01 mil, uma queda de mais de 50% desde o recorde. Diante da queda, dá para considerar que o investimento é uma bolha financeira?

O conceito de bolha diz respeito a algum tipo de ativo que tenha uma valorização acima do valor fundamental devido a uma espécie de euforia no mercado e que cai bruscamente após esse erro na cotação ser notado.

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A última bolha mais relevante da história recente foi a bolha das empresas ponto com, que começou por volta de 1994 e estourou em 2000. Naquela época, uma série de empresas ligadas a tecnologia da informação tiveram uma valorização expressiva, ainda no início da internet. Diversas empresas quebraram após a queda.

Como investidor, há como saber quando está ocorrendo uma bolha financeira? O iDinheiro conversou com especialistas que discutem como reconhecer esse fenômeno e o que fazer.

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Como funciona a bolha financeira?

Bolhas financeiras tem a ver com uma certa euforia no mercado pela possibilidade de ganhos, normalmente quando um ativo começa a se destacar pelo seu crescimento. 

“Bolha financeira acontece quando se tem um ativo ou classe de ativos que estão precificados acima do seu valor fundamental, dos fundamentos técnicos, e que esse tipo de precificação está alto justamente por causa de um grande fluxo de investidores que investem não por acreditar nos fundamentos, mas em busca de rendimentos no curto prazo”, resume o professor de finanças e controle gerencial do Coppead/UFRJ, Rodrigo Leite.

O especialista em criptomoedas e fundador da Financial Move, Tasso Lago, complementa que esse fenômeno comumente é cíclico e formado por 5 fases:

  1. Os preços começam a se movimentar para cima devido a algum motivo concreto de mercado.
  2. Alguns investidores experientes começam a apostar no ativo, investindo nele e aumentando ainda mais a cotação.
  3. A valorização do ativo entra na boca do povo. Investidores amadores começam a colocar dinheiro no investimento na esperança de que ele vá subir para sempre e que haverá lucro.
  4. Alguns investidores começam a vender os ativos para recuperar o lucro e, com isso, o preço começa a baixar.
  5. Desespero: com a queda no valor, investidores começam a vender o que compraram, muitas vezes até com prejuízo, temendo que o ativo caia ainda mais. É o momento em que a bolha estoura.

O caso do Bitcoin

Após atingir o pico histórico em abril, o Bitcoin começou uma trajetória de quedas mais agudas no dia 12 de março, após o bilionário Elon Musk anunciar que a Tesla não aceitaria mais pagamentos em Bitcoin por conta dos impactos ambientais causados pela mineração de criptomoedas.

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O preço do ativo caiu 5% apenas 5 minutos após o anúncio e continuou em queda livre nos próximos dias, atingindo o maior vale na última quarta-feira, 19, após a China impor novas restrições em transações envolvendo criptomoedas.

Rodrigo considera que o Bitcoin em si não é uma bolha financeira, mas que ocorreu um movimento de bolha neste ano. “Foi uma bolha naquele momento em termos de magnitude da correção, mas não significa que não pode chegar a 60 mil de novo, significa que naquele momento as pessoas estavam investindo pelos motivos errados”, destaca.

“No começo [a alta] tinha muitos fundamentos, como empresas relevantes anunciando que aceitariam Bitcoin. Tem uma série de notícias do mercado que elevaram o preço, mas com fundamento. Em março, abril, teve uma euforia de certa forma sem razão. As pessoas estavam comprando qualquer criptomoeda sem fundamento, só esperando que ia subir”, detalha o fundador e CEO da Alter, Vinicius Frias. 

Ele afirma que o Bitcoin ainda é um ativo vantajoso para o longo prazo e que a queda se torna, dessa forma, uma oportunidade para que mais pessoas entrem no mercado. [Veja como comprar Bitcoin]

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“Diversificar é sempre a chave para se proteger de bolhas. Criptomoeda é um setor que está crescendo e explodindo hoje. Essas quedas são naturais de um ativo mais volátil e geram oportunidades de entrar”, complementa Tasso.

Segundo dados da CoinMarketCap, a criptomoeda está sendo negociada por volta de US$ 39 nesta quarta-feira, 26, uma alta já de 30% desde a maior queda.

Como reconhecer a bolha e o que fazer

É difícil saber quando está acontecendo uma bolha financeira — afinal, se fosse fácil, os investidores não teriam prejuízo. Mas, quem investe sobretudo em ativos com maior volatilidade deve prestar atenção em alguns pontos que podem denunciar um futuro estouro.

  • Observe a média móvel das últimas semanas. Se o ativo teve uma valorização muito grande de forma repentina é um sinal de alerta de que pode haver uma euforia no mercado.
  • Para quem investe em Bitcoin, o Mayer Multipler pode ajudar a entender as tendências do mercado. O índice saudável é em 2; abaixo disso, está desvalorizado e, acima disso, superfaturado.
  • Um sinal mais subjetivo é a popularidade. Se começam a falar de um ativo em lugares não ligados a investimentos, como no consultório médico ou no cabeleireiro, talvez seja um sinal de que nem todos os investidores estão ali pelos fundamentos, mas sim simplesmente pela valorização.

Vinicius recomenda que, caso o investidor perceba estar participando de uma bolha, tente sair dela aos poucos. “Se ele identificou que os preços estão descolados e ainda não aconteceu a bolha, ele pode reduzir a participação, não digo vender tudo. Vende uma parte em um mês, no mês seguinte mais um pouco. Se você errou a análise e ainda tá subindo, você ainda tá participando do jogo”, indica.

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Caso o foco seja no longo prazo, pode valer a pena manter os ativos e engolir a queda, caso acredite nos fundamentos e na futura alta. A dica que Tasso dá é investir tendo um bom balanceamento de carteira.

“Se você estava expondo 5% da carteira à cripto e essa porcentagem subiu para 15%, por exemplo, porque o ativo valorizou, tem que balancear, vender parte dos ativos e investir em outros”, ensina.

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