Com inflação e alta nos alimentos, o que dá para comprar com o auxílio emergencial em 2021?

O custo de vida do brasileiro ficou mais caro em 2021. Quem recebe o auxílio emergencial, também enfrenta desafios para manter o rendimento

Cindy Damasceno

Inflação alta e taxa Selic recorde: o auxílio emergencial retorna para um Brasil diferente em 2021. O benefício chegou para menos pessoas e em menor quantidade do que em 2020 — serão quatro parcelas mensais, de, no máximo, R$ 375, distribuídos para 40 milhões de brasileiros. Embora a volta seja necessária, será que em meio a um cenário mais apertado, o auxílio tem o mesmo rendimento do ano passado?

Para entender melhor o que está em jogo, o economista Rodolpho Tobler, do Instituto Brasileiro de Economia, ligado à Fundação Getúlio Vargas (IBRE/FGV), contextualiza: é preciso olhar para o poder de compra de quem mora no país. 

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O valor significa a quantidade de serviços que podem ser adquiridos com dinheiro, em um determinado período de tempo. Por trás do fator, estão a renda e os gastos da população. “Se há uma maior renda e os preços estão mais baixos, há um poder de compra maior. Se os preços vão ficando um pouquinho mais caros, e a renda, o emprego, vai diminuindo, há um menor poder de compra”, detalha Tobler.

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra como o salário mínimo é bem menor do que deveria para que os brasileiros pudessem ter um bom padrão de vida. Confira:

E como poder de compra do auxílio emergencial é afetado em 2021?

Em 2021, após os incrementos inflacionários, a capacidade de compra está reduzida. Mesmo quem teve a renda mantida durante a pandemia, hoje, precisa pressionar o orçamento para ter um estilo de vida similar ao do ano passado. 

Se aqueles que estão com estabilidade financeira precisam apertar o bolso, quem depende de programas governamentais, como o auxílio emergencial, está mais vulnerável ao encarecimento. Rodolpho relembra que a expectativa anterior é que o mercado já estivesse estabilizado em 2021, o que não aconteceu. 

Isso somado à chegada tardia do benefício, reduziu ainda mais a capacidade de compra de quem permanece entre os beneficiados. “As famílias estão com suas contas pressionadas por conta da inflação, mas também pelos pagamentos dos meses anteriores. Elas ficaram três meses sem nenhum tipo de auxílio”, avalia o economista. 

O professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie Josilmar Cordenonssi analisa que, apesar do valor ser menor do que o passado, ele ainda permanece efetivo enquanto política pública. 

“Toda a economia se beneficiou da assistência. Era esperado que o PIB fosse cair ao redor de 9%. E caiu menos da metade: 4.1, graças aos auxílios do Governo, não só do auxílio, mas como o Pronampe, para evitar demissões em massa”. O Pronampe é o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte. 

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One thought on “Com inflação e alta nos alimentos, o que dá para comprar com o auxílio emergencial em 2021?

  1. ELIS REGINA

    Eu sou pai mãe de família, não estou trabalhando, faz mas de um ano .. minhas contas estão todas paradas, com as coisas caras , até as cestas básicas que recebíamos no ano passado, esse ano não tem..E eu não receber esse auxílio.. tenho certeza q tem pessoas q tem como sobreviver , vai receber.. deveria vcs visitar as casas das pessoas de quem mesmo PRECISA.

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