Aumento da taxa Selic para 5,25% impacta mercado imobiliário e investimentos, entenda

Aumento da taxa Selic para 5,25% deve impactar linhas de financiamento imobiliário, além de tornar a renda fixa mais atrativa. Entenda impactos nos dois mercados.

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Ana Júlia Ramos

Aumento da taxa Selic para 5,25% foi decidido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central na última quarta-feira, 5. Analistas do mercado financeiro já previam a variação positiva de um ponto percentual, sendo esta a quarta elevação consecutiva no ano de 2021.

No mês de março, primeira vez em que a taxa foi elevada após quase seis anos, houve uma variação de 2% para 2,75%. Em maio, a Selic subiu para 3,5% e em junho, para 4,25%.

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O iDinheiro reuniu a visão de especialistas em financiamento imobiliário e no mercado de investimentos para avaliar os desdobramentos do aumento da taxa básica de juros.

Aumento da taxa Selic para 5,25% deve impactar linhas de financiamento imobiliário

O aumento da taxa Selic para 5,25% ao ano deve acirrar a competição entre as instituições financeiras nas linhas de financiamento imobiliário e intensificar a busca por comparação de taxas, segundo avaliação do CEO da Credihome, plataforma de crédito imobiliário multi-banco, Bruno Gama.

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“Embora nossa expectativa seja de que eventuais repasses nesse segundo semestre aconteçam de forma gradual, a alta da Selic altera a dinâmica de concessão de crédito imobiliário, podendo tornar instituições mais sensíveis a esse aumento mais seletivas”, explica Gama.

“Vale lembrar que a taxa mínima anunciada pelos bancos não significa que será aquele o juro final para o tomador. Mais do que nunca, pesquisar e comparar os custos entre os bancos se torna crucial antes de contratar um financiamento”, alerta.

De acordo com o executivo, mesmo com a decisão do Copom de subir em 1 ponto percentual a Selic, a média dos juros para financiamentos imobiliários esse ano não deve ultrapassar a faixa entre 7% e 8% ao ano. A arrecadação recorde da poupança em 2020 também deve garantir fôlego para os bancos continuarem oferecendo crédito imobiliário a taxas competitivas.

Em nota, a ABRAINC (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) considera que o aumento foi uma medida técnica necessária para conter o processo inflacionário no país. 

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“Mesmo com o aumento, a taxa de juros se encontra em um baixo patamar, principalmente ao avaliar o histórico brasileiro em que a Selic quase sempre esteve acima de dois dígitos. A taxa de juros real segue negativa, o que configura um excelente momento para investimento em imóveis”, aponta.

Para o presidente da ABRAINC, Luiz França, as condições para aquisição da casa própria permanecem atraentes, pois essa elevação não vai inviabilizar os planos de quem está em busca de um imóvel. “Com o avanço da vacinação contra a covid-19, a economia está reagindo positivamente. As pessoas têm mais segurança em relação à estabilidade e crescimento de suas rendas, tornando-se mais confiantes para a compra de uma casa ou apartamento. A tendência é de termos mais interessados buscando um imóvel”.

Desdobramentos no mercado de investimentos já são percebidos

Segundo o economista e sócio da BRA, João Beck, o comunicado do Copom traduziu no exato tom o que o mercado já sinalizava mostrando alinhamento com o compromisso da meta em tom ainda mais rígido que o último comunicado, principalmente quando sinaliza juros para patamar acima do neutro.

Para o sócio-fundador da Fatorial Investimentos, Jansen Costa, o comitê se mostra preocupado e se vê “correndo” atrás da curva de juros. “O mercado de juros antecipou a alta e está ditando o ajuste do COPOM. O comunicado deixa claro um novo aumento de 1% de juros com mais um novo aumento de 1% no próximo comunicado. As expectativas de juros para dezembro aumentam após essa ata“, explica.

Com a alta da Selic, a renda fixa fica mais atrativa. De acordo com Beck, para prazos mais longos de investimento, o Tesouro Selic é preferível. Para os investidores mais conservadores, ficar somente no Tesouro Selic vai ser a melhor opção. Já investidores mais iniciados no mundo dos investimentos, com perfil mais arrojado e horizonte de prazos mais longos, acima de 4 anos, o Tesouro IPCA é um investimento melhor”, diz.

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“Mas é preciso ficar atento às oscilações ao longo do caminho, que chamamos de ‘marcação a mercado’. O ideal é que o Tesouro IPCA seja carregado até o vencimento, só assim é garantida a remuneração contratada no ato da aplicação. Vendendo antes o título antes do vencimento, o investidor se sujeita a surpresas negativas, mas eventualmente positivas também”, diz.

O especialista aponta que o tesouro pré-fixado está direcionado para um nicho específico de clientes e carrega um componente especulativo: “nesse título, o investidor será remunerado com a taxa que o mercado está projetando hoje para o futuro. Ou seja, se a taxa de juros observada no futuro ficar acima do que o mercado projeta, você não participará dessa remuneração”.

Costa acredita que, mesmo com a alta da Selic, a rentabilidade continua negativa tanto em poupança como Tesouro Selic devido à inflação. A renda fixa pode voltar para o jogo sim se o investidor optar por mudar a maneira de investir e buscar, por exemplo, títulos pré-fixados para um prazo de até 12 meses. Consegue, assim, ter juros real perto de zero e um rendimento melhor do que no Tesouro Selic ou poupança diminuindo a chance de ficar negativo em relação à inflação”, diz.

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