Pagou imposto ou ganhou pouco no IRPF 2021? Veja 5 dicas para aumentar a restituição no ano que vem

O prazo da declaração de 2021 acabou na última segunda-feira, 31. Quem quer ganhar mais na restituição do IRPF do ano que vem deve começar a se planejar já a partir de agora.

Heloisa Vasconcelos
Heloísa Vasconcelos

Os contribuintes tinham apenas até a última segunda-feira, 31, para realizar a declaração do imposto de renda referente a 2021. Quem teve de pagar imposto ou teve uma restituição pequena neste ano já pode começar a se planejar para ganhar mais no IRPF 2022.

A quantidade de restituição paga ao contribuinte depende diretamente da quantidade de renda tributável declarada e de despesas dedutíveis. Como a declaração do ano que vem diz respeito a gastos e ganhos tidos neste ano, é importante prestar atenção a partir de agora.

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Organização e planejamento são as palavras-chave para garantir uma recompensa maior. E, segundo a planejadora financeira e professora da FGV, Myrian Lund, o melhor momento para iniciar uma estratégia para pagar menos imposto ou aumentar a restituição é agora. 

“Neste momento, quando você vê a realidade desse ano, é a melhor hora de buscar formas para mudar isso para o ano que vem”, destaca a especialista.

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A melhor estratégia para aumentar a restituição deve ser traçada levando em conta particularidades da vida do contribuinte, como condições financeiras, existência de dependentes e outras despesas dedutíveis. 

Como aumentar a restituição do IRPF?

Quem tem carteira assinada tem descontos todos os meses no salário bruto (veja aqui como calcular o salário líquido). Entre essas reduções está a contribuição para o INSS, o 13º e o imposto de renda. É esse valor que foi suprimido do pagamento mensal que pode voltar como restituição.

“Se paga uma antecipação do imposto de renda mês a mês. Na declaração de ajuste anual, está se fazendo uma prestação de contas, para ver se aquilo que o contribuinte antecipa é maior do que o que deveria ter sido pago. Se o valor que antecipou foi maior, gera restituição. Se for menor, gera saldo de imposto a pagar”, resume o professor pesquisador do Programa de Mestrado em Ciências Contábeis e coordenador do Núcleo de Apoio Contábil Fiscal (NAF) da Fecap, Tiago Slavov.

Nem todos os contribuintes conseguem aumentar o valor a ser recebido pela Receita, mas em alguns casos é possível diminuir o imposto a ser pago. A forma de reduzir o imposto a ser pago ou aumentar a restituição é deduzir despesas que foram tidas ao longo do ano. 

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Tiago recomenda que quem quer traçar uma estratégia para a declaração do ano que vem pode entrar em contato com algum NAF de universidades. Lá, estudantes prestam consultoria gratuita.

O que se pode deduzir?

É possível abater na declaração:

  • Gastos com saúde, sem limite financeiro;
  • Gastos com educação, limitados a R$ 3.561,50 por ano (válido para 2021);
  • Dependentes, correspondendo a dedução de R$ 2.275,08 por dependente, por ano;
  • Previdência privada, limitado a 12% dos rendimentos tributáveis;
  • Até 100% do valor de pensão alimentícia registrada em contrato;
  • 100% do valor total do gasto com honorários de advogado;
  • Doações, com limite de 3% por doação ou até 6% somando todas as doações;
  • Gastos de profissionais autônomos que tenham relação direta com o trabalho exercido, como despesas com aluguel de escritório, água, luz, telefone, material de expediente, e viagens com fins profissionais.

Existe, porém, um limite para o quanto essas deduções impactam no valor da restituição recebida. “O limite da sua restituição é o quanto você foi deduzido de IRPF no ano. A restituição não é algo que possa ser aumentado para sempre, o limite é o que você pagou no ano anterior”, esclarece Myrian.

A declaração simples é mais vantajosa para quem não tem tantas despesas a deduzir, já que considera automaticamente 20% dos ganhos como despesas dedutíveis. Caso a porcentagem de gastos com os itens citados seja maior que 20% dos ganhos no ano, a declaração completa é uma opção melhor.

Dicas para aumentar a restituição do IRPF ou reduzir imposto a ser pago

1. Planeje-se com antecedência

Planejando-se com antecedência é possível traçar a melhor estratégia para conseguir pagar menos ou ter uma restituição maior. 

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Uma dica que Tiago dá é aproveitar o programa deste ano para já fazer simulações de como o valor ficaria com mudanças como a aquisição de algum bem ou a contratação de um plano de previdência privada.

2. Atenção aos comprovantes de despesas

Todas as despesas dedutíveis que forem declaradas precisam ter comprovação para que o contribuinte não caia na malha fina. Myrian alerta que deve-se ter um cuidado especial com os gastos médicos; como não existe limite para dedução, a Receita pode desconfiar caso muitas despesas sejam declaradas.

“Não coloque nada o que você não tenha feito ou não tem nota e não coloque nada que não foi feito no seu nome. Se você paga uma consulta para seu filho, por exemplo, mas ele não é seu dependente, não dá para abater”, exemplifica.

3. Faça o carnê-leão ao longo do ano

Os profissionais autônomos ou que recebam rendimentos diretamente de pessoas físicas (como aluguel, por exemplo), devem realizar o carnê-leão ao longo de todo o ano. Dessa forma, os impostos sobre os ganhos serão pagos todos os meses e não de uma vez só no momento do IRPF.

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Além de diminuir o montante a ser pago no final, exportar os dados do carnê-leão para a declaração pode, inclusive, gerar restituição, caso no momento da prestação de contas a Receita perceba que foi pago imposto a mais quando descontadas as deduções.

4. Realize doações para aumentar a restituição do IRPF

É possível deduzir até 6% de doações aos:

  • Fundos controlados pelos conselhos municipais, estaduais, distrital e nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA); 
  • Fundos controlados pelos conselhos nacional, distrital, estaduais ou municipais do Idoso;
  • Fundo Nacional de Cultura (FNC), à produções audiovisuais; 
  • Programa Nacional de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoa com Deficiência (Pronas/PCD);
  • Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon).

A doação pode ser feita, inclusive, no momento da declaração. Nesse caso, é possível direcionar parte do imposto que seria pago a alguma das instituições.

5. Tenha uma previdência PGBL

Contratar uma previdência privada do tipo PGBL pode ser uma boa estratégia para aumentar a restituição do IRPF no ano que vem. 

“A legislação tributária dá um incentivo fiscal que até 12% do rendimento tributável pode ser aplicado em produtos de previdência PGBL. Se a pessoa tem condições de investir dinheiro, deve-se calcular a possibilidade do PGBL”, indica Tiago.

Importante ressaltar que, como outros investimentos, também há cobrança de impostos para os planos PGBL. Mas, nesse tipo de fundo é possível escolher uma tabela regressiva, que tem tributação direto na fonte. Nesse caso, a alíquota cobrada diminui com o passar do tempo, uma boa opção para quem quer guardar dinheiro a longo prazo.

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