Mais caros ou mais baratos em 2021? Até quando o preço dos alimentos continuará subindo

O preço dos alimentos sofreu altas consecutivas no ano de 2020. Entenda quais as previsões para este ano e que itens podem baixar ou subir.

Cindy Damasceno
Cindy Damasceno

Após seguidas altas no ano passado, o brasileiro se pergunta em 2021: “Até quando o preço dos alimentos continuará subindo?“. Em 2020, o arroz-com-feijão foi um dos vilões no orçamento doméstico. O preço do par aumentou, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): de janeiro a dezembro do ano passado, o arroz subiu 76,01%. No mesmo período, o feijão-preto cresceu 45%.

As causas? A alta do dólar, a inflação e o maior consumo alimentar durante a crise sanitária. Mas, com a inflação em alta e o agravamento da pandemia, o cenário econômico continuará o mesmo? O iDinheiro ouviu três especialistas para saber o que esperar no orçamento de casa em 2021.

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Como está o preço dos alimentos agora

A depender do último boletim do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a cena ainda é preocupante. Em fevereiro, o indicador registrou alta de 0,86% —  o maior resultado para fevereiro desde 2016, quando o IPCA foi de 0,90%. Considerando o intervalo de 12 meses, o mês passado também indicou recorde: a alta no período foi de 5,20%.

Para vias de comparação, em fevereiro de 2020, a mesma variação foi de apenas 0,25%. O IPCA é referência para as tendências de inflação. Isso afeta diretamente o bolso: significa que, quanto maior o índice, mais dinheiro é preciso para comprar o mesmo que se comprava antes. 

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Por outro lado, o Brasil começou o ano com um aumento na produção agrícola. A previsão é de que, em 2021, sejam gerados 263,1 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas no país.

O valor é 3,5% maior que o recolhido em todo 2020. As informações são do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) mais recente, publicado pelo IBGE na semana passada. Quem deve aparecer mais no setor é o milho e a soja, com aumentos na área a ser colhida de 3,1% e 3,4%, respectivamente. 

E o que isso significa para o preço dos alimentos em 2021?

Apesar do aumento no IPCA geral, o ramo de alimentação e bebidas foi um dos únicos a desacelerar, de acordo com o boletim mais atual.

A subida foi de 0,25% em relação a janeiro deste ano, engatando o terceiro mês em ‘calmaria’, de acordo com o IBGE: em novembro, dezembro e janeiro as taxas foram, nessa ordem, de 2,54%, 1,74% e 1,02%. 

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Dois fatores contribuíram para o indicador menos alarmante: a queda da batata-inglesa (-14,70%), do tomate (-8,55%), do leite longa vida (-3,30%), do arroz (-1,52%) e do óleo de soja (-3,15%). A contração do arroz e do óleo chamam atenção. Em 2020, o derivado da soja acumulou alta de 103,79%. 

Mas isso quer dizer que a lista de compras vai desafogar nos próximos meses? A técnica de planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Maria Andreia Parente Lameiras, avalia o cenário atual com cautela.

“Um alimento ou outro pode até baixar de preço, mas a conta de supermercado não vai ficar menor em 2021, ela vai crescer menos”, categoriza a pesquisadora, responsável pela inflação e pelo mercado de trabalho no Instituto.  

Boom na safra

O boom na safra brasileira e o controle da pandemia estão envolvidos no aumento dos preços. “A gente vai ter uma safra melhor em 2021, então eu vou ter uma oferta melhor. Em 2021, a gente espera que a demanda esteja mais contida. Apesar da gente estar vivendo um pico aqui no Brasil, outros países já estão voltando para vida mais próxima do normal. Então, você terá uma pressão menor no mercado internacional”, completa Andreia. 

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Ainda assim, o economista e coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da FGV, André Braz, não projeta uma melhora no carrinho de compras.

“O Brasil continua exportando muito. Nossa moeda está desvalorizada, nosso país é uma vitrine em promoção. À medida que a gente exporta mais é bom para a balança comercial, mas é ruim para inflação porque a gente desabastece o mercado brasileiro e isso força um aumento de preços”, explica. 

Principais altas

Alguns produtos tendem a crescer ao longo do ano, principalmente os derivados de milho, trigo e soja. O impacto não é sentido apenas nos preços dos grãos, relembra o economista. “No caso do milho, a gente pode ver a carne de frango e os ovos mais caros. No caso do trigo, o mercado de pães”. 

Mesmo que não dê para antecipar muito o que vem por aí, o consumidor pode ficar atento a alguns produtos. “Os alimentos da cesta básica a gente tem que ficar de olho. Carne, ovo nesse período de quaresma tende a subir muito de preço. O leite também. As condições de pastagem começam a piorar, já não chove tanto, e o pecuarista tem que investir em ração para tratar o gado”, conta. 

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Embora o cenário seja de desaceleração, alguns produtos indicaram alta, segundo calcula o IPCA. A cebola subiu (15,59%) e as carnes — que haviam apresentado queda de 0,08% em janeiro — subiram 1,72% em fevereiro.

Para ficar de olho

Quem cuida do orçamento de casa deve ficar atento a três indicadores que impactam o preço dos alimentos, recomenda Andreia: câmbio, safra e demanda. A pandemia, além de ter aumentado a demanda por alimentos, desvalorizou o real e modificou a dinâmica em dois canais: a importação e a exportação. 

Então, para o futuro próximo, as variações no dólar devem ficar na mira dos consumidores. “Se a taxa de câmbio cooperar e desacelerar, a desaceleração dos alimentos será mais rápida. Se a gente tiver uma taxa de câmbio que continue a subir e que continue a pressionar a inflação, essa desaceleração de alimentos pode até acontecer, mas em uma magnitude menor”, reforça. 

Docente da pós-graduação em Economia Rural da Universidade Federal do Ceará (UFC), o economista Francisco Tabosa também coloca o câmbio como base para 2021. O motivo é a importância brasileira no agronegócio internacional.

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“Pelo Brasil ter liderança em alguns produtos do agronegócio, [o câmbio] impulsiona o preço e estimula o produtor para a venda externa. Isso pode afetar negativamente o preço nos supermercados”, articula o professor. 

Tabosa enumera, além das variações do dólar, a sazonalidade de produtos agrícolas como um outro elemento de interesse. Por isso, é importante conferir os produtos da vez. “Eu tenho um período de safra que é quando ocorre o boom na produção. Mas, na entressafra, esse preço aumenta. É um comportamento sazonal”, complementa o docente. 

Quer gastar menos? Montamos uma lista de dicas para seguir em casa!

Com a incerteza do futuro, é bom estar preparado para um cenário financeiro mais apertado em 2021. Pensando nisso, perguntamos aos especialistas quais as melhores dicas para reduzir os gastos com comida. 

  1. Fique atento a encartes promocionais;
  2. Busque marcas mais baratas;
  3. Busque comprar menos, se possível;
  4. Prefira consumir produtos de safra.

Não sabe quais as frutas da estação? A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) lançaram, em outubro, um manual para facilitar a vida doméstica. Nele, é possível verificar a sazonalidade de cada produto. Mas atenção: a oferta pode variar por região do país. 

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) também disponibiliza ferramentas similares. No site da plataforma, é possível acompanhar as safras e as entressafras de grãos, café, cana-de-açúcar e da comercialização de hortigranjeiros.  O boletim é atualizado mensalmente. 

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4 comentários

  1. marcos

    Muito bom e útil este site.
    Gostei muito!
    Parabéns!

  2. Galileu Oliveira

    Essa matéria é muito boa, me ajudou e muito em algumas dúvidas que eu tinha na minha cabeça . Muito obrigado !

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