Moeda brasileira desvalorizada: como fica a vida dos brasileiros?

A moeda brasileira desvalorizada impacta na vida do brasileiro em diferentes esferas. Entenda como suas finanças sofrem com a alta do dólar.

Amanda Gusmao
Amanda Gusmão

Dólar alto e moeda brasileira desvalorizada. Essa é uma combinação ruim para muitos brasileiros, não só aqueles com viagens programadas ao exterior.

Em 2020, a alta do dólar afetou a cotação das 20 moedas mais negociadas no mundo. Porém, foi o real que sofreu a maior desvalorização.

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Isso traz impactos na balança comercial, nos preços e até disponibilidade de produtos nas prateleiras do supermercado.

Mas, ao mesmo tempo, alguns setores vibram com o momento. Esse é o caso do comércio exterior e investidores que escolhem ativos atrelados ao câmbio.

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Entenda os efeitos da desvalorização da moeda brasileira.

Relação da alta do dólar com a moeda brasileira desvalorizada

A alta do dólar é, na verdade, a desvalorização da moeda brasileira frente a moeda norte americana.

Assim, de forma resumida, como é preciso gastar mais moeda brasileira na equivalência ao dólar, o real perde seu poder de compra.

Vale lembrar que o dólar é a moeda mais transacionada no mercado internacional para negócios.

Desempenho entre as 30 moedas mais negociadas do mundo

À pedido da BBC News, os professores Henrique Castro e Claudia Yoshinaga da Fundação Getúlio Vargas fizeram um levantamento sobre as 30 moedas mais negociadas no mundo em relação ao dólar.

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Dessa forma, entre dezembro de 2019 e outubro de 2020, a relação de valor comparada ao dólar de algumas dessas moedas, foi:

  • Real brasileiro, desvalorizou 28%;
  • Lira turca, desvalorizou 24,8%;
  • Peso argentino, desvalorizou 22,3%;
  • Rublo russo, desvalorizou 19,5%;
  • Peso mexicano, desvalorizou 11,7%.

Algumas moedas, porém, ficaram mais fortes do que o dólar nesse mesmo período. São elas:

  • Coroa Sueca (ou Krona Sueca), valorizou 6,3%;
  • Franco Suíço, valorizou 6%;
  • Coroa Dinamarquesa (ou Krona Dinamarquesa), valorizou 5%;
  • Dólar Taiwanês, valorizou 4,6%;
  • Euro, valorizou 4,6%. 

Apesar de algumas moedas estarem mais valorizadas que o dólar, ele é a moeda de referência, motivo que o faz fortalecer mesmo em períodos de crises.

Além disso, a moeda norte-americana continua sendo a moeda utilizada para a negociação de commodities, que são produtos que servem como matéria-prima em todo o mundo e, portanto, são negociados em grandes volumes.

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Impactos da moeda brasileira desvalorizada no cotidiano dos brasileiros

A alta do dólar impacta diretamente os viajantes, empresas com clientes fora do Brasil, pessoas físicas e jurídicas que fazem importação.

Além disso, é perceptível seus efeitos na economia interna e vida dos brasileiros.

Alimentos

O Brasil é um grande exportador de trigo e arroz, por exemplo. Com a alta do dólar, os produtores desses itens dão preferência à venda dos produtos para outros países para terem mais lucro.

Dessa forma, a oferta de produtos relacionados ao trigo e arroz diminui nas prateleiras e seus preços, aumentam.

Custo de produção dos produtos com a moeda brasileira desvalorizada

Além dos efeitos na oferta e demanda de produtos produzidos no Brasil, outros itens e serviços têm etapas de seus processos de fabricação impactados pela alta do dólar.

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Assim, mesmo produtos locais também podem ter um aumento nos preços ao consumidor.

Margem de lucro nos negócios

Com menos moedas circulando no país por conta do desemprego, alguns negócios diminuem suas margens de lucro para não perder clientes.

Tal medida, no entanto, pode não ser sustentável com o tempo, ao gerar atrasos de pagamentos a fornecedores e impostos, por exemplo.

Mercado imobiliário e a moeda brasileira desvalorizada

No mercado imobiliário, o impacto principal está nos contratos de aluguéis, que, em sua maioria, são ajustados pelo IGP-M.

O IGP-M é calculado a partir da soma entre outros indicadores econômicos que, por sua vez, são impactados pelas negociações das commodities no comércio exterior.

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Em outras palavras, a correção do IGP-M também é impactada com a alta do dólar.

Também é possível citar os efeitos nos investimentos já que existe um movimento notório da saída de investidores do Brasil em busca de ativos menos incertos.

Vale ressaltar que a alta do dólar também é favorável para indústrias que fazem exportações, e até mesmo profissionais liberais que recebem em moedas estrangeiras.

Ainda assim, de forma macro, existe um aumento no custo de vida dos brasileiros a moeda brasileira desvalorizada.

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