Diversificação: conceitos básicos para construir uma carteira de investimentos diversificada

A diversificação é uma das formas mais básicas de proteger seu capital. Veja como começar a diversificar sua carteira de investimentos.

Tiago Reis Suno
Tiago Reis

Você com certeza já deve ter ouvido falar sobre a regra de ouro dos investimentos: nunca, em hipótese alguma, você deve colocar todos os ovos numa única cesta, certo? O motivo, chega a ser óbvio: se a cesta cair no chão, todos os ovos quebraram, e você vai ficar sem nenhum para fazer um bolo ou qualquer coisa que você goste ou queira fazer com ovos. 

Assim como o ovo, seu patrimônio também é delicado, sensível, e precisa ser distribuído em várias cestas por motivos de segurança. Se acontecer algo ruim com uma cesta, você ainda tem várias outras intactas, garantindo que um mar de claras e gemas estouradas não farão parte da sua vida. É, meus caros, chorar pelo ovo quebrado não resolve, é preciso se precaver. É por isso que tanto se fala em diversificação.

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As cestas representam as diferentes classes de ativos que estão disponíveis no mercado. Se você pegar todo seu patrimônio e investir um pouco em cada uma, você estará construindo um portfólio seguro e momentos de crise não irão te assustar. Nada como ter a tranquilidade de saber que você não depende de um único investimento, e que tudo não cairá abaixo da noite para o dia.

Diversificar é, portanto,  uma técnica de gerenciamento de risco, estratégia de segurança e proteção. É necessário, urgente e básico para qualquer investidor. Mas, por mais que a diversificação seja amplamente recomendada e muito estudada, não existe um consenso, uma receita única de diversificação, pois depende muito do perfil do investidor e cada um precisa avaliar pessoalmente como dividir seu patrimônio em diferentes tipos de investimento.

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Eu, particularmente, gosto muito do modelo de Yale, importante faculdade norte-americana. Na minha opinião, a melhor maneira de diversificar uma carteira de investimento é seguindo o que eles fazem. A premissa da universidade é aplicar em ativos de retorno alto, e que tenham baixa correlação entre si, sendo a maior parte dos investimentos ativos de renda variável. Ou seja, ações, ações estrangeiras, imóveis ao redor do mundo, venture capital, private equity. 

Em linhas gerais, o modelo de Yale consegue capturar a rentabilidade da renda variável, com uma correlação baixa, o que torna a rentabilidade muito menos volátil. Eu gosto muito de tudo que eles aplicam lá, acredito que, no longo prazo, é o que gera riqueza.

David Swensen, autor de um livro chamado Unconventional Success: A Fundamental Approach to Personal Investment, foi o responsável pela gestão do fundo de investimentos da Universidade de Yale desde 1985. Foi ele que desenvolveu o “Modelo Yale”.

Uma das principais recomendações de Swensen é que o investidor reequilibre sua carteira de investimentos regularmente. Não dá para fazer uma vez e largar. É preciso estar sempre ligado no mercado e acompanhar de perto seus investimentos, para trocar posições, fazer reajustes, sempre que necessário. Tratar com carinho os ovos da sua cesta, porque, como sabemos, eles são muito delicados. 

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Diversos estudos orientam também que os ativos estejam diversificados entre classes, geografias e setores e que contem, em média, com 15 ou 20 ativos.  Mas não se engane: diversificar não é pulverizar, há que se entender os limites para não diminuir o potencial de retorno individual de cada empresa dentro do portfólio.

Outra lição importante sobre o assunto é a de Peter Lynch, investidor renomado, filantropo e autor de livros de investimento. Para ele, é essencial que  o investidor nunca inclua no seu portfólio ações desconhecidas, apenas pelo bem da diversificação. Diversificar apenas por diversificar pode ser um grande erro e responsável pelo declínio de uma carteira de ações. 

4 formas de fazer a diversificação da carteira

Mas então, como balancear uma carteira de investimentos? Qual peso deve ter cada um dos tipos de ativos dentro de um portfólio? Existem quatro principais formas de diversificar:

1. Número de ativos

Quanto mais ativos, mais diversificado e menos concentrado está o portfólio de um investidor. Mas, como disse anteriormente, é necessário atenção para não pulverizar os investimentos, já que aumentar muito o número de ativos tende a diluir eventuais retornos positivos.

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2. Classes de investimentos

O investidor pode e deve compor seu portfólio de investimentos com  diferentes classes de investimentos, para reduzir o risco geral e a volatilidade do portfólio.  Orienta-se investir em:

3. Setores dos ativos

Escolher ativos de diferentes setores também é muito importante. Afinal, não adianta nada ter 20 ações em sua carteira, se todas elas pertencerem ao mesmo segmento de mercado.

A mesma coisa ocorre com os fundos imobiliários. Não dá para concentrar sua participação em apenas um setor. Analise o mercado e escolha as melhores oportunidades, dividindo seus aportes em logística, shoppings, lajes corporativas. 

Alguns dos setores possíveis para investir são:

  • varejo;
  • mineração;
  • petróleo;
  • energia;
  • bancário; 
  • tecnologia;
  • turismo.

Ao selecionar as empresas de cada segmento, não esqueça de se certificar que elas não tenham correlação entre si. 

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4. Geograficamente

Outra forma de diversificar uma carteira de investimentos é geograficamente. Ou seja, ter ativos expostos a diferentes geografias.

Trata-se de uma importante forma de não estar exposto exclusivamente aos riscos de um único país ou economia. E atualmente, investir no exterior se tornou muito mais simples do que era no passado. É possível utilizar plataformas fáceis e intuitivas e fazer todo o processo diretamente do seu celular e em português. 

A mesma regra é válida para o mercado internacional: procure adquirir ações de empresas de segmentos diferentes e descorrelacionados.  

Tomando esses cuidados com sua carteira de investimentos, dificilmente você chorará por ovos quebrados.  

E você, já começou a pensar na diversificação da sua carteira?

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