Como começar a analisar ações?

Escolher ações para investir é mais difícil do que parece. Conheça os tipos de análise e veja por onde começar.

Tiago Reis Suno
Tiago Reis

Se você é investidor, você sabe: analisar uma empresa não é tarefa nada fácil. Afinal, decidir qual ação comprar significa escolher qual negócio você quer ser sócio no longo prazo. É praticamente um casamento e, como em um casamento, você tem que saber fazer a escolha certa para não se arrepender, nem sair no prejuízo no futuro. 

A boa notícia é que, apesar de não existir um caminho único para começar a investir em ações, existem algumas métricas que você pode analisar e, assim, ter um direcionamento muito bom para fazer sua escolha de compra de ações. Na minha opinião, são esses indicadores que são fundamentais para balizar a sua análise na hora de escolher uma empresa para investir.

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Tipos de análise de ações

A primeira informação que você deve ter é que existem dois tipos básicos de análises que podem ser feitas em uma ação: a análise fundamentalista e a análise técnica. A primeira, é a que eu mais gosto e utilizo na minha vida, porque se trata de um tipo de análise focada na construção de valor, e na estratégia de longo prazo.

Nesse tipo de análise, os fatores avaliados vão muito além do preço e do volume negociado, privilegiando o estudo dos resultados financeiros, a situação microeconômica, a gestão, a governança corporativa e mais uma série de fatores que indicam a solidez de uma companhia.

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Já a análise técnica ou análise gráfica é muito utilizada pelos investidores adeptos ao day trade e se baseia no valor de uma ação em tempo real, avaliando aspectos técnicos e gráficos, bem como os volumes de negociação no mercado naquele momento, para determinar a melhor hora de comprar ou vender. Para os analistas técnicos, é como se o  preço da ação já contemplasse todos os fatores possíveis, sem analisar necessariamente os tipos de empresa ou o mercado que elas estão inseridas.

Quem está começando a analisar ações precisa ter em mente que é um trabalho árduo, requer muito estudo, paciência e algumas boas horas de dedicação. Mas não se desestimule: vale a pena ter a tranquilidade de investir com confiança. 

Uma boa dica para quem não tem experiência é focar em mercados que já possua conhecimento prévio. Por ter mais familiaridade, muitas vezes por ter até atuado nele, talvez exista mais facilidade para fazer a análise. Mas, se não for seu caso, você pode também pesquisar análises de casas independentes. Só não se esqueça de verificar se a fonte é confiável e de comparar com outras análises sobre a mesma ação. Com essa pesquisa feita, fica mais fácil fazer sua análise pessoal.  

Quem não se sentir seguro para fazer sua própria análise pode buscar apoio profissional. Só o que não pode é investir em alguma companhia porque o vizinho investiu e porque todo mundo está investindo. Isso não vale e nunca é uma boa ideia seguir a manada. Combinado?

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Meus 4 critérios de análise

Eu, como sou experiente no mercado de ações, tenho 4 critérios, métricas, e indicadores que utilizo sempre nas minhas análises e que balizam a minha decisão de investimento. O primeiro é a rentabilidade. Claro que as empresas mais rentáveis são as mais atrativas ao investidor e quanto mais uma empresa consegue lucrar, com os acionistas colocando o mínimo de capital possível, melhor é a empresa. Este é o conceito básico de rentabilidade. 

A segunda métrica que não abro mão nas minhas análises é o potencial de crescimento do negócio. Acho necessário avaliar três grandes frentes e fazer algumas perguntas para avaliar o potencial de crescimento no negócio:

  1. crescimento da economia (geograficamente onde aquele negócio está inserido? como é o mercado naquela região?);
  2. segmento (trata-se de um produto/serviço que tem potencial de crescer acima ou abaixo do PIB?); e
  3. potencial de crescimento de market share (qual a participação de mercado daquela empresa no mercado que ela está inserida?).

O terceiro ponto que levo em consideração são os riscos de investir naquele negócio. Cada negócio tem seu próprio risco e o investidor precisa entender isso claramente. Ao investir em uma empresa, o risco vem de várias frentes: pode ser jurídico, regulatório, climático. A forma mais simples de compreender os riscos primários de uma empresa é ler atentamente formulário de referência, que existe no site de relações com os investidores, antes de adquirir ações da companhia. Neste documento, as empresas costumam ser sinceras em relação aos seus riscos.

Além disso, outra boa ideia é buscar empresas que tenham baixa volatilidade de suas receitas e de seus lucros. Geralmente, uma empresa que tem muita volatilidade em receitas e lucros são empresas mais arriscadas. Outro ponto fundamental é investir em empresas que tenham balanço sólido, ou seja, que tenham caixa para honrar seus compromissos e não quebrem por falta de dinheiro. 

E por fim, o quarto critério fundamental que utilizo para analisar ações é o valuation. Valuation significa “avaliação de empresas”. Trata-se do processo de estimar o valor real de uma empresa, determinando seu preço justo e o retorno de um investimento em suas ações. Por melhor que seja uma empresa, um valuation equivocado leva o investidor a fazer um negócio não tão bom. Valuations esticados, por exemplo, dificultam retornos acima da inflação. 

Se você está preocupado em aprender como analisar ações, não tenho dúvida que você está no caminho certo e que poderá se tornar um grande investidor de valor no longo prazo, com muito empenho, foco, estudo e constância.

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