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Você sabe o que são debêntures? Conheça esse investimento

As debêntures são títulos emitidos por empresas. Oferecem uma rentabilidade conservadora e são boas opções. Veja o que são debêntures.

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Melissa Nunes Especialista em Finanças Pessoais e Investimentos

Se você busca conhecer mais sobre investimentos e diversificar sua carteira, está na hora de entender o que são debêntures. Essas aplicações financeiras são adequadas para diferentes perfis, por isso, vale a pena saber como funcionam.

Nesse primeiro momento, o que importa é entender que esses ativos de renda fixa são como títulos de empréstimo. Por isso, eles permitem que uma empresa capte recursos no mercado.

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Você sabe qual é o seu papel nessa relação? Quais serão os seus ganhos ao optar por investir seu dinheiro? Descubra tudo isso e mais ao longo deste post.

O que são debêntures?

As debêntures são títulos de dívidas emitidos por empresas. Por esse motivo, esse tipo de aplicação financeira faz parte da renda fixa. Elas costumam ser arriscadas do que outras opções, sendo indicadas para todos os perfis de investidores, mas suas características podem variar bastante.

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Na prática, a emissão de debêntures é feita quando as empresas precisam captar recursos financeiros. Eles servem para financiar operações, pagar dívidas ou expandir o negócio. Assim, o investidor pode emprestar capital, e, em troca, recebe uma rentabilidade predeterminada. Portanto, ao aplicar seu dinheiro nessa aplicação financeira, você está financiando a empresa.

Essa característica faz com que existam alguns riscos ao investir em debêntures, especialmente o risco de crédito. Em comparação com outros investimentos da renda fixa, ela oferece um potencial de perdas maior, já que não conta com a proteção do FGC, por exemplo.

No entanto, tende a ser mais segura do que aplicações financeiras da renda variável. Portanto, pode ser uma alternativa para começar a investir e formar seu patrimônio.

Quais as diferenças entre debêntures e ações?

Tanto debêntures quanto ações são ativos emitidos por empresas. Porém, existem diferenças entre elas.

As debêntures são títulos de crédito. Por isso, o investidor empresta dinheiro para a empresa, tornando-se seu credor. Além disso, ficam definidas todos os detalhes da aplicação financeira antes da contratação. Ou seja, você adquire o ativo já sabendo qual é a data de vencimento e a taxa de rentabilidade oferecida.

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Por sua vez, as ações representam partes de uma companhia. São frações de capital adquiridas por investidores, portanto, quando você compra a sua, passa a ser sócio. Na prática, você recebe parte dos lucros via dividendos ou juros sobre capital próprio. Outro detalhe é que as ações não têm uma data de vencimento predeterminada, elas podem ser mantidas na sua carteira pelo tempo que desejar.

Ainda é preciso destacar que as debêntures fazem parte da renda fixa. Enquanto isso, as ações são ativos de renda variável.

Quem pode emitir debêntures?

Esses títulos podem ser emitidos por empresas do tipo Sociedade por Ações (SAs) de capital aberto ou fechado. Ou seja, elas podem negociar ou não suas ações na bolsa de valores.

Além disso, caso a companhia queira fazer uma oferta pública de debêntures, é preciso ter capital aberto e ser registrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a assembleia geral de acionistas deve aprovar a operação. Ainda, deve determinar as condições e os critérios a serem seguidos. Nas empresas de capital aberto, o Conselho de Administração pode fazer esse papel.

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Quais os tipos de debêntures?

Agora que você já sabe o que são debêntures, é preciso saber que existem diferentes tipos desses ativos. Todos são títulos de crédito privado da renda fixa. Porém, dependendo dos diferentes tipos de debêntures, as regras para os investidores são diferentes. Entenda como cada um deles funciona.

Debêntures simplesSão o modelo mais básico, em que os investidores aportam capital nesse título e recebem uma remuneração futura. O pagamento é feito em reais.
Debêntures conversíveisPermitem que os títulos sejam transformados em ações. Assim, o investidor pode ser remunerado com participação societária em vez de dinheiro. A vantagem da debênture conversível é o potencial de valorização no longo prazo, o que pode gerar um retorno ainda maior.
Debêntures permutáveisSão semelhantes às conversíveis, porque o investidor também pode ser remunerado por meio de ações. No entanto, essas últimas não são da própria empresa emissora. Em outras palavras, você se torna debenturista da companhia X, e, no momento de receber o retorno, ganha ações da empresa Y.
Debêntures incentivadasConsiste em um tipo de título com remuneração isenta de Imposto de Renda, pois existe um incentivo por parte do governo federal. Isso acontece pois a destinação do recurso captado pela empresa é para setores de infraestrutura do país, como energia, transporte e saneamento.

Como rendem as debêntures?

Existem três modalidades de remuneração desses títulos da renda fixa. Elas são os seguintes:

1. Prefixada

Oferece uma taxa de juros anual predeterminada. Ela é definida no momento da compra, por isso, você já sabe quanto receberá na data de vencimento.

Assim como outros investimentos da renda fixa, esse título é indicado para situações em que a taxa básica de juros da economia, a Selic, tende a cair. Na prática, investimentos prefixados tem sua rentabilidade expressa em uma % ao ano.

2. Pós-fixada

Tem uma rentabilidade variável, que depende da volatilidade de um índice financeiro. Normalmente, é o CDI, um indexador que fica próximo ao resultado da taxa básica de juros da economia. Portanto, quanto mais alta estiver a Selic, melhor, já que você ganha mais com a debênture com rendimento pós-fixado.

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Essa característica também faz com que esse tipo de remuneração seja mais indicado para cenários em que a taxa básica de juros deve aumentar ou se manter em alta.

3. Híbrida

É uma remuneração que combina rentabilidade pré e pós-fixada. A primeira taxa já é definida na compra do título e não varia ao longo do tempo. Por sua vez, a segunda costuma estar atrelada ao índice oficial de inflação de país, o IPCA. Portanto, esse título sempre traz um ganho real, ou seja, acima da pressão inflacionária.

Devido a esses detalhes, é uma opção para qualquer cenário, mas especialmente para situações em que a inflação está em alta. Afinal, ela tende a corroer seus ganhos e diminuir o ganho real das outras alternativas.

Quais os riscos e garantias de investir em debêntures?

Em relação a riscos e garantias, é importante saber se debêntures têm FGC. Ou seja, se contam com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito. A resposta é não. Dessa forma, existe um risco maior ao investir em debêntures.

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Ainda assim, o potencial de perdas é menor do que na renda variável. Por exemplo, ao adquirir ações, a chance de prejuízo é maior.

Então, quais são os riscos existentes? Eles são:

  • de crédito: é o risco do emissor do título. Assim, se a empresa entrar em falência, você pode sofrer calote;
  • de fluxo de caixa: acontece quando a empresa não tem saldo suficiente para honrar seus compromissos. Dessa forma, pode acontecer do investidor não receber o rendimento esperado no dia combinado. Nos casos de resgate antecipado, também há a perda de rentabilidade.

Para evitar esses dois problemas, existem duas dicas principais. A primeira é ler o prospecto. Esse documento traz as informações mais importantes para você tomar a decisão certa. A segunda é contar com a ajuda de profissionais especializados. Assim, você terá uma ideia se investir em debêntures é a melhor alternativa.

Mesmo assim, ainda existem garantias de diferentes tipos e níveis de segurança. Elas interferem na forma e na remuneração desses ativos. Na tabela a seguir, apresentamos todas elas e suas características:

Garantia realÉ a mais segura, pois o capital dos debenturistas é protegido por ativos reais, como bens físicos, direitos e valores. Como são dados como garantia, a empresa não pode negociá-los.
Garantia flutuanteOs ativos da empresa também garantem os investidores, mas podem ser negociados. Ou seja, quem aplica seu dinheiro tem a preferência no recebimento sobre outros credores em caso de falência.
Garantia quirografáriaOs debenturistas não têm a preferência sobre os ativos. Portanto, se a empresa falir, concorrem em pé de igualdade com outros credores.
Garantia subordinadaÉ a menos segura. Nesse caso, o investidor recebe apenas antes dos acionistas em caso de falência da empresa.

Quais as taxas cobradas?

Além de saber o que são debêntures, também é importante conhecer as taxas cobradas. De modo geral, existem três delas:

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  • comissões: consistem em partes da negociação exigida pelas instituições financeiras. São definidas em percentual, portanto, quanto maior o capital aplicado, mais elevada é a cobrança. Por exemplo, 2% de R$ 100 são R$ 2, mas 2% de R$ 10.000 equivalem a R$ 200;
  • taxa de corretagem: referem-se a uma quantia cobrada pela instituição financeira para intermediar a operação. Costuma ter um valor fixo e incide na negociação, tanto na compra quanto na venda. Portanto, quanto menor for a quantia aplicada, mais representativo ela é no seu patrimônio;
  • taxa de custódia: serve para compensar a instituição financeira por manter os títulos registrados. Muitas corretoras de valores já isentam essa cobrança, mas ela ainda incide em outras.

Tributação nas debêntures

A tributação nas debêntures é igual aos outros títulos da renda fixa, exceto no caso das debêntures incentivadas, que são isentas. O imposto é aplicado sobre o ganho de capital, de acordo com a tributação regressiva por tempo de investimento, como na tabela replicada abaixo:

  • 22,5% para investimentos de até 6 meses;
  • 20% para prazos entre 6 meses e 1 ano;
  • 17,5% para períodos entre 1 e 2 anos;
  • 15% para aplicações com vencimento superior a 2 anos.

Por isso, vale a pena manter o capital aplicado pelo máximo de tempo possível, já que a alíquota reduz bastante após o segundo ano. De qualquer forma, uma debênture costuma ter um prazo médio de 10 anos e, por isso, é considerada como um investimento de longo prazo.

Apesar de haver certa liquidez (possibilidade de vender o título antecipadamente), pode haver desvalorização na venda antes do prazo. Por isso, recomenda-se investir sem intenções de recuperar o dinheiro anteriormente ao vencimento.

Quais as vantagens e desvantagens de investir em debêntures?

Assim como qualquer tipo de investimento, existem pontos positivos e negativos ao investir em debêntures. Para entender como eles funcionam, trouxemos um quadro informativo. Assim, você pode comparar e tomar sua decisão.

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VantagensDesvantagens
vantagem Rentabilidade maiordesvantagens Não tem FGC
vantagem Diversificação da carteiradesvantagens Menor liquidez
vantagem Pode ter garantias sólidasdesvantagens Possibilidade de repactuação
vantagem Possibilidade de isenção de IRdesvantagens Possível relação entre risco e retorno desfavorável

Aqui, é preciso ressaltar que a liquidez se refere à capacidade de resgatar os valores antes da data de vencimento. Para entender o que são debêntures, é preciso saber que você provavelmente precisará ficar com esses títulos até o final. Caso queira negociá-los antes, terá que recorrer ao mercado secundário. No entanto, costuma ser difícil fazer essa operação de compra e venda.

Além disso, a repactuação se refere à alteração das condições do título. Essa possibilidade deve estar definida no prospecto do papel. Assim, a tendência é que a negociação piore para o investidor.

De qualquer forma, investir em debêntures pode ser vantajoso caso você encontre títulos de um bom emissor com uma boa taxa. Elas são uma forma interessante de diversificar a carteira tanto em rendimento quanto em risco.

Como investir em debêntures?

Para investir em debêntures, você precisa comprar esse título. Para isso, deve:

  • abrir uma conta em uma corretora de valores;
  • transferir dinheiro para a conta da corretora;
  • escolher a debênture mais adequada ao seu perfil de investidor e aos seus objetivos. Ainda, observe o prazo do investimento, o rendimento oferecido e o nível de risco da empresa emissora;
  • confirme a operação e aguarde até o vencimento. Observe que o prazo desse título costuma ser longo (em média 10 anos).

Conclusão: vale a pena investir em debêntures?

A resposta depende da sua condição pessoal. De modo geral, as debêntures são boas oportunidades de diversificar os investimentos sem sair da renda fixa. Isso traz um nível de segurança maior à sua carteira. Sem contar que você mantém investimentos conservadores e moderados. Ou seja, arrisca pouco, mesmo tendo um nível de retorno potencial mais alto.

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Por sua vez, as debêntures não têm FGC e a negociação no mercado secundário é difícil. Portanto, é preciso fazer um bom planejamento financeiro para evitar precisar desse dinheiro antes do tempo esperado.

Ou seja, a melhor forma de saber se vale a pena investir em debêntures, é pensar em todos esses detalhes. Assim, você vai considerar a sua realidade e o que faz sentido no momento.

Então, analise o que são debêntures, o que elas oferecem e o que você pode fazer no momento com seu dinheiro. Dessa forma, você saberá se esse investimento ajudará a alcançar seus objetivos financeiros.

Sugestões de leitura do iDinheiro:

Perguntas frequentes

  1. Debêntures têm FGC?

    Não. As debêntures não são cobertas pelo Fundo Garantidor de Crédito, mas têm outros tipos de garantias.

  2. Debêntures é renda fixa ou variável?

    As debêntures fazem parte da renda fixa. Ainda assim, são títulos emitidos por empresas.

  3. Quais os riscos de investir em debêntures?

    Há o risco de crédito e de fluxo de caixa. O primeiro se refere à possibilidade de calote, enquanto o segundo indica a possibilidade da empresa deixar de honrar seus compromissos como esperado.

  4. Posso vender uma debênture antes do prazo?

    Pode, mas apenas no mercado secundário. Porém, nem sempre a negociação é possível, pois pode haver baixa liquidez para o título.

  5. O que são debêntures incentivadas?

    Debêntures incentivadas são tipos de debêntures isentas de imposto de renda. Essa isenção é um estímulo à captação de recursos para projetos de infraestrutura que beneficiam o país como um todo. Por exemplo, obras relacionadas à energias, à logística ou ao saneamento.

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