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Juros futuros: o que são e como influenciam os investimentos?

Os juros futuros são pouco conhecidos, mas têm grande influência sobre os investimentos do mercado.

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Melissa Nunes Especialista em Finanças Pessoais e Investimentos

Os juros futuros estão presentes em todo o cenário financeiro, desde a renda fixa até o mercado futuro, contudo, muitos investidores não estão familiarizados com esse conceito.

Por esse motivo, para atuar de forma experiente e realizar as melhores escolhas para a sua carteira, é essencial entender como atua essa estimativa, qual seu verdadeiro impacto no mercado e as determinações que ela segue.

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Pensando nisso, reunimos algumas das principais informações sobre os juros futuros, o que são, quais suas ramificações e como elas funcionam.

O que são os juros futuros?

Os juros futuros, também conhecidos como juros longos, são estimativas de mercado sobre a evolução da taxa básica de juros no Brasil. Como seu nome indica, eles buscam determinar a elevação dos valores praticados em vencimentos de longo prazo, a partir da análise de alguns fatores macroeconômicos, como a inflação e as crises políticas nacionais.

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Além disso, esse conceito também acompanha diferentes períodos de tempo, que podem ser de 1 ano, 5 anos ou mesmo 10 anos.

Seu objetivo é estabelecer um parâmetro para o mercado acompanhar a taxa básica, além de reforçar previsões e estimativas para outros investimentos.

O que são contratos futuros de DI?

Dentro do conceito de juros futuros, existem os contratos futuros de DI, sigla para Depósitos Interfinanceiros. Basicamente, é uma modalidade de derivativo que também precifica essa taxa, mas por meio de uma negociação entre duas partes quanto à expectativa de elevação.

Nesse caso, o acordo de compra ou venda é feito sob a perspectiva da taxa no período do início da negociação até seu vencimento.

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Exemplo de contrato futuro de DI, relativo a julho de 2022 (DI1N2022)
Exemplo de contrato futuro de DI, relativo a julho de 2022 (DI1N2022). Fonte: TradingView.

Existem dois tipos de contratos que podem ser feitos com base nessas taxas: contratos futuros prefixados e pós-fixados.

Contrato prefixado

Os contratos prefixados são indicados na expectativa de juros mais altos, feitos a partir da taxa atual. Isso porque ele utiliza como base a porcentagem mais baixa, para que o valor futuro não esteja acima, protegendo o investidor contra esse aumento, e, consequentemente, maior gasto para comprar o produto.

Contrato pós-fixado

Enquanto isso, se a previsão é de baixa nos juros futuros, o investidor pode escolher o pós-fixado e se proteger da taxa futura. Afinal, o valor será menor, e, para assegurar esse preço mais em conta na negociação futura, é possível escolher um acordo com tarifa posterior.

Influência da taxa DI

Os contratos de juros futuros são sempre baseados na taxa DI, gerada por meio do Certificado de Depósito Interbancário, ou CDI, de modo a corresponder aos juros médios utilizados em empréstimos entre as instituições financeiras.

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Por isso, os juros futuros de DI normalmente estão próximos da taxa Selic, que é usada como principal índice para o mercado de renda fixa. 

De forma simples, essa modalidade visa precificar os juros e estabelecer um contrato de vencimento entre as partes, buscando prever a movimentação dessas taxas em algum momento da economia.

O que é a curva de juros futuros?

Enquanto isso, outro termo comum no mercado financeiro é a curva de juros futuros. Basicamente, trata-se de um termo utilizado para definir a projeção do caminho que uma determinada taxa pode ter.

Em outras palavras, é a expectativa da taxa de juros descrita em um gráfico, indicando a mudança de valores que pode vir a acontecer em relação aos rendimentos médios de títulos prefixados.

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Exemplo de curva de juros, gráfico do dia 10/05/22
Exemplo de curva de juros, gráfico do dia 10/05/22. Fonte: ANBIMA.

Para a construção da curva, é necessário utilizar o eixo X na horizontal, apontando os prazos ou vencimentos, enquanto o eixo Y, na vertical, indica os juros futuros para aquela situação.

Essa ferramenta é utilizada, principalmente, para a avaliação de títulos de renda fixa e análise dos contratos de DI a longo prazo.

Como funcionam os juros futuros?

Em um primeiro momento, os juros futuros funcionam como uma tentativa de proteger o mercado e conferir estabilidade para os investidores.

O segmento variável é marcado por ser um ambiente dinâmico e instável, e as oscilações nas taxas podem prejudicar os atuantes. Dessa forma, fixar qual será a tarifa de juros futuros em prazos adiantes pode ajudar a proteger o investidor contra altas variações.

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Além disso, essa estimativa também fornece parâmetros para a Selic, ajudando a indicar crises ou instabilidades a partir dos fatores de análise, que podem incluir:

  • inflação;
  • política fiscal e monetária;
  • dívida pública;
  • atividade econômica do país;
  • expectativa do PIB;
  • câmbio comercial.

No entanto, a principal influência é a taxa Selic. Isso acontece porque a taxa de juros é o principal instrumento de combate à alta dos preços. Ou seja, quando a inflação sobe, o Banco Central aumenta a Selic, e o inverso ocorre quando a inflação está baixa.

Assim, quanto maior o risco do ativo no mercado, maiores os juros futuros. Sendo uma forma de percepção do investidor sobre o ambiente financeiro, essa taxa costuma ser mais elevada do que a Selic.

Como os juros futuros influenciam nos investimentos?

Os juros futuros não influenciam apenas nos contratos firmados pelos investidores dentro desse contexto, mas também em outros produtos.

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Basicamente, eles são referência para a precificação de todos os ativos de renda fixa, como o Tesouro Direto, por exemplo. Ele leva em consideração essa taxa para negociar títulos com o mesmo prazo de vencimento dos contratos futuros, realizando uma nova precificação quando os juros futuros sobem ou caem.

Nesse caso, títulos prefixados ou atrelados à inflação também reagem com a mudança dessa taxa, de maneira inversamente proporcional, desvalorizando com a subida dos juros, e aumentando com o recuo da tarifa.

Ainda, títulos pós-fixados que se baseiam na taxa básica de juros também são influenciados pelos resultados.

Enquanto isso, os ativos de renda variável também são impactos, uma vez que a oscilação afeta todo o cenário, especialmente o mercado de ações. No entanto, existe uma variação diferenciada entre os setores. O segmento financeiro, por exemplo, tende a se beneficiar com o aumento da taxa de juros, por conta dos produtos de crédito e elevação nos preços.

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Por outro lado, setores como varejo e tecnologia são prejudicados, assim como seus papéis na bolsa de valores.

Dessa forma, o nicho está sempre buscando uma readequação, de modo que os juros futuros influenciam diretamente na movimentação de todo o mercado.

E, de fato, além de variar os produtos, também pode impactar a visão do investidor, que se torna mais agressivo ou receoso conforme o comportamento das taxas para se proteger ou arriscar com a sua carteira.

Vale a pena operar com juros futuros?

Depois de conhecer mais sobre o conceito de juros futuros e como ele funciona, muitos investidores podem ter dúvidas se vale a pena atuar nesse segmento.

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Em um primeiro momento, é importante definir que essa avaliação depende, principalmente, do posicionamento do atuante. Isso porque sua experiência e alinhamentos irão impactar na sua análise, tornando os juros futuros um tipo de investimento mais ou menos atrativo.

Para pessoas que operam com o mercado de ações e outros produtos que dependem dessa taxa, trabalhar com contratos de proteção pode ajudar a prever e controlar os rendimentos a partir da movimentação apresentada. No entanto, como outras tarifas variáveis, ela muda constantemente, e precisa de um acompanhamento mais detalhado.

Enquanto isso, os contratos de juros futuros, propriamente ditos, podem não interessar perfis que não se interessam pelo segmento, ou não possuem ativos diretamente influenciados em risco.

Contudo, essa variação também afeta outros produtos, como investimentos de renda fixa. Por isso, mesmo que o investidor não opere com esses contratos, é fundamental que ele conheça o conceito de juros futuros e esteja por dentro da sua oscilação.

Dessa forma, poderá escolher o melhor ativo para a sua carteira com base em uma avaliação concreta, a partir da melhor rentabilidade e, claro, da melhor taxa.

Assim, é fundamental estar atento para essa variação, e, por conta dela, avaliar se vale a pena operar diretamente com juros futuros, ou apenas acompanhá-lo de forma indireta. Com isso, você terá uma experiência mais positiva no mercado, e se tornará ainda mais experiente com conceitos financeiros que influenciam o cenário todos os dias.

Perguntas frequentes

  1. O que são juros futuros DI?

    Juros futuros DI compõem um contrato que determina uma compra ou venda com base na previsão da taxa dentro do período escolhido.

  2. Como acompanhar os juros futuros?

    As cotações dos juros futuros são liberadas diariamente pela bolsa de valores brasileira, a B3, e também na ANBIMA e em portais financeiros especializados.

  3. Quem determina os juros futuros?

    Os juros futuros são calculados pela B3 com base nos seus fatores de influência, como inflação, atividade econômica e câmbio.

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