Entenda o índice Ibovespa e conheça as ações que fazem parte

O índice Ibovespa é um dos indicadores do mercado financeiro. Entenda como ele interfere nos seus investimentos de renda variável.

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Melissa Nunes

Com certeza você já ouviu falar no Índice Ibovespa, certo? Seja no jornal da televisão, vídeo do Youtube ou em algum artigo da internet, é bem provável que tenha ouvido algo como: “o Ibovespa subiu tantos pontos hoje”… Mas que pontos são esses? O que isso tem a ver com a bolsa de valores?

Se você quer começar a investir em ações, por exemplo, é fundamental conhecer esse índice e saber como ele funciona. Por isso, neste post, vamos explicar melhor esse indexador e mostrar as ações que fazem parte dele. Veja o que você vai conferir neste conteúdo:

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  • O que é o índice Ibovespa?
  • Quais são as ações que fazem parte do Ibovespa?
  • Onde ver a cotação do índice em tempo real?
  • Gráfico histórico do índice Ibovespa
  • O que é o índice futuro Ibovespa?
  • BOVA11: o ETF de Ibovespa

O que é o índice Ibovespa?

O índice Ibovespa é um indicador de desempenho da B3, a bolsa de valores do Brasil. Ao contrário do que muitos pensam, o Ibovespa não representa todas as ações da bolsa. Na verdade, ele se refere às ações mais negociadas e que atendem critérios específicos (veja mais adiante).

Para se manter atualizado, a composição das ações do Ibovespa é reavaliada a cada 4 meses. Assim, ele é resultado de uma carteira teórica de ativos, ou seja, não é um portfólio real, mas sim uma representação que procura trazer aos investidores um indicativo do movimento geral da bolsa. Inclusive, porque esses títulos equivalem a aproximadamente 80% do total de negociações e do volume financeiro do mercado de capitais do país.

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Por enquanto, é preciso saber que o índice Ibovespa hoje é uma referência. Ele foi criado em 1968 e é composto por ações e units (que combinam as preferenciais e as ordinárias).

Além disso, são excluídos alguns tipos de empresas. Por exemplo, as que estão em:

  • recuperação judicial ou extrajudicial;
  • regime especial de administração temporária;
  • intervenção;
  • qualquer situação especial de listagem.

Na prática, o Ibovespa mostra se a bolsa de valores brasileiras está com resultados positivos ou negativos. Por exemplo, quando se diz que esse índice “subiu”, significa que as ações que o formam se valorizaram na média. Com isso, os investidores ficam mais otimistas.

O inverso também é válido. Assim, você tem uma referência do movimento geral do mercado, o que pode ajudar a decidir se vale a pena fazer alguma operação ou é melhor manter a posição atual.

Metodologia do índice

O Ibovespa é formado a partir de uma metodologia específica. Dessa forma, ele representa o desempenho médio das cotações dos ativos mais negociados e representativos do mercado brasileiro.

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Para integrar o indicador, a empresa precisa cumprir vários critérios. Eles são:

  • estar entre os ativos elegíveis que representaram 85% do índice de negociabilidade no total no período de 1 ano;
  • ter uma presença em 95% dos pregões no ano anterior;
  • ter participação de 0,1% ou mais em termos de volume financeiro no mercado à vista;
  • não ser penny stock, ou seja, não ter ações com cotação menor do que R$ 1.

Além disso, uma companhia que tenha feito a Oferta Pública Inicial (IPO) durante o ano pode ser elegível, mesmo que não tenha estado listada durante todo o período. Para isso, a empresa que abriu seu capital deve seguir as diretrizes abaixo:

  • a IPO de distribuição de ações ou units deve ter sido realizada antes do rebalanceamento imediatamente anterior;
  • a empresa precisa ter 95% ou mais de presença no pregão desde o início de sua negociação;
  • a companhia deve estar entre os ativos elegíveis que representaram 85% do índice de negociabilidade no total, ter participação de 0,1% ou mais em termos de volume financeiro no mercado à vista e não ser penny stock. Esses critérios devem ser atendidos de forma cumulativa.

Portanto, fica claro que existem vários pré-requisitos vigentes que procuram contemplar as empresas mais influentes nas negociações. Por isso, a formação desse indicador é tão relevante.

O que são os pontos do Ibovespa?

Ainda é importante explicar que a cotação Ibovespa é calculada a partir de um sistema de pontos. O objetivo é representar o comportamento dos preços dos ativos que integram o índice. Além disso, a pontuação representa diferentes formatos de negociação. Com isso, esse sistema se torna um retrato dos pregões administrados pela B3.

Tudo começou ainda na criação do indexador. Na época, o propósito era garantir que a carteira teórica tivesse um valor de mercado de 100 cruzeiros novos. Portanto, o índice começaria valendo 100 pontos.

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Com o tempo, o cálculo foi sendo modificado. No entanto, ainda manteve a equivalência, ou seja, cada 1 ponto do Ibovespa equivale a R$ 1. Na prática, se quiséssemos adquirir uma carteira com uma composição igual ao do índice, precisaríamos pagar a mesma quantidade de pontos do Ibovespa.

Por meio dos pontos, o investidor entende a valorização da bolsa. Especialmente, porque essa é uma referência para a comparação do desempenho das ações e fundos de investimento em ações.

Quais são as ações que fazem parte do Ibovespa?

As ações de várias empresas fazem parte da composição do Ibovespa. Porém, cada uma delas tem um peso diferente. Assim, a pontuação varia de acordo com o volume de ativos da companhia na formação da carteira. Ou seja, se o índice Ibovespa registrou alta, nem sempre todas as ações foram valorizadas.

Nesse caso, os ativos com mais peso “carregaram” o resultado médio para cima ou para baixo. Por exemplo, essa é a situação da Vale, que tem um alto volume de negociação na B3.

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Ainda assim, uma empresa nunca pode ter uma participação superior a 20% em ações na composição do índice. Assim, é possível ponderar a carteira.

No total, o índice Ibovespa é formado por cerca de de 90 companhias de capital aberto. A seguir, apresentaremos as 10 principais e sua participação aproximada:

CódigoAçãoParticipação no índice
VALE3Vale15%
PETR4Petrobras6%
ITUB4Itaú Unibanco5%
BBDC4Bradesco4%
PETR3Petrobras4%
B3SA3B34%
ABEV3AMBEV S/A3%
JBSS3JBS2%
BBAS3Brasil2%
WEGE3Weg2%

Caso você ver a lista completa de empresas que integram a carteira teórica do Ibovespa e suas participações exatas, acesse o site da B3. A composição muda a cada quadrimestre, por isso, é interessante procurar sempre a lista atualizada.

Onde ver a cotação do índice Ibovespa em tempo real?

A cotação do Ibovespa é calculada em tempo real, durante os pregões. Ela depende de cada ação que faz parte do índice, multiplicado pela quantidade teórica dos ativos que formam a carteira. Portanto, os preços de todos os negócios realizados no mercado à vista são considerados de forma instantânea.

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Para acompanhar o Ibovespa em tempo real, você pode utilizar diferentes fontes, como:

  • o home broker da sua corretora de valores, buscando pelo código IBOV;
  • outros aplicativos e sites, como o TradingView, que permitem acompanhar a cotação;
  • o próprio site da B3, que permite conhecer o volume total de negociações diárias;
  • ao digitar “Ibovespa” no Google você vê uma versão simplificada do gráfico.

Vale a pena reforçar que o gráfico Ibovespa é útil tanto para traders quanto para operações de longo prazo. No primeiro caso, é preciso fazer um acompanhamento constante. No segundo, a tarefa não precisa ser rotineira e pode apenas auxiliar a tomar decisões de compra ou venda.

Gráfico histórico do índice Ibovespa

Uma maneira de entender o desempenho da bolsa no longo prazo é olhando o gráfico histórico do Ibovespa. Utilize uma das opções listadas no tópico anterior para ver uma versão atualizada. A título de exemplo, abaixo, você vê o acumulado desde 1995 até o final de abril de 2022:

gráfico histórico do índice ibovespa, de 1995 a 2022
Fonte: TradingView.

O que é interessante analisar, nesse caso, é o movimento geral da bolsa que, como você pode ver, tende a subir no longo prazo. Isso é reflexo do que se espera que aconteça com as empresas que fazem parte do índice: cresçam valorizem seu valor de mercado.

Ao mesmo tempo, também podemos ver como eventos importantes impactam as cotações das ações, seja por um medo generalizado dos investidores ou por outras opções mais favoráveis em devido momento. Como exemplo, podemos destacar:

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  • em 2008, a queda acentuada causada pela Crise do Subprime nos EUA, que impactou o mercado internacional;
  • a queda alongada entre 2011 e 2016, impulsionada pela subida na taxa de juros (Selic), que tende a direcionar investidores para a renda fixa;
  • o otimismo gerado pelo impeachment, em 2016, até o topo histórico no início de 2020;
  • em seguida, o “crash” causado pela pandemia generalizada da COVID-19, que derrubou as cotações do Ibovespa em mais de 44%, um dos piores episódios da história da B3.

São muitos os fatores que influenciam no movimento do índice Ibovespa, tanto nacionais quanto internacionais. Assim, faz parte da experiência do investidor conhecer os momentos importantes da história e saber como se preparar, pois, acredite: eles irão acontecer de novo.

O que é o índice futuro Ibovespa?

Também chamado de Ibovespa Futuro, é um contrato negociado na BM&F, ou bolsa de mercadorias e futuros (mercado futuro). Ele permite obter lucros com as expectativas das variações do indexador de renda variável em determinado período.

Em outras palavras, é como se o mercado “apostasse” em quantos pontos o Ibovespa valerá em uma data futura. Por ser altamente especulativos, os contratos futuros são voltados ao trade, seja ele day trade ou swing trade, e não são recomendados aos investidores iniciantes.

Ainda, é importante conhecer as características dos contratos do Ibovespa Futuro. Elas são:

  • há uma data de vencimento, sempre nos meses pares (fevereiro, abril, junho, agosto, outubro e dezembro) e sempre na quarta-feira mais próxima do dia 15;
  • a liquidação dos investimentos é feita por meio de débito ou crédito na conta do investidor;
  • a variação mínima para liquidação do contrato é de 5 pontos por índice;
  • a aplicação equivale a 15% do valor do contrato no momento da compra do título;
  • a negociação pode ser feita por meio de contrato padrão ou minicontrato.

Contrato padrão

O contrato padrão também é chamado de índice cheio (código IND). Ele tem um lote de negociação mínimo de 5 contratos. Portanto, se o Ibovespa estiver em 100 mil pontos, cada um deles valerá R$ 100 mil.

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Como é preciso negociar 5 contratos, o total será de R$ 500 mil. Mas, conforme as regras, o aporte mínimo é de 15% desse valor, ou seja, a aplicação é de R$ 75 mil. Esse aporte mínimo é chamado de margem de garantia e consiste em uma quantia depositada pelas partes envolvidas no contrato futuro.

Assim, se a transação for favorável, esse valor é devolvido. Caso tenha sido registrado prejuízo, ele é descontado do montante aplicado.

Minicontrato

Por sua vez, o minicontrato futuro de Ibovespa, ou mini-índice (código WIN), tem um valor reduzido, onde cada ponto equivale a R$ 0,20. Além disso, a negociação pode ser feita com apenas um contrato. Assim, com o patamar de 100 mil pontos, cada minicontrato valeria R$ 20 mil. Portanto, a aplicação mínima deve ser de R$ 3 mil.

Dessa forma, operar minicontratos se torna mais barato, mas não menos arriscado, especialmente para os que usam a alavancagem financeira. Portanto, não se iluda: a perda financeira pode ser grande para quem não sabe o que faz.

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O código dos contratos futuros é formado por IND ou WIN e mais 1 letra e 2 números, que se referem mês e ano de vencimento do contrato. Veja como fica:

  • janeiro: F;
  • fevereiro: G;
  • março: H;
  • abril: J;
  • maio: K;
  • junho: M;
  • julho: N;
  • agosto: Q;
  • setembro: U;
  • outubro: V;
  • novembro: X;
  • dezembro: Z.

Portanto, se o ativo tem a sigla WINF23, indica que é um minicontrato futuro do Ibovespa com vencimento em janeiro de 2023. Já o INDH23 se refere ao contrato padrão, com vencimento em março de 2023.

BOVA11: o ETF de Ibovespa

O BOVA11 é um fundo de índice, ou Exchange Traded Fund (ETF). Na prática, seu objetivo é replicar a composição do Ibovespa, ou seja, o propósito é ter uma rentabilidade próxima à pontuação do índice Ibovespa.

Dessa forma, o BOVA11 é uma opção mais conservadora para quem quer investir na bolsa ou para quem deseja ter, em sua carteira, a mesma performance do índice Ibovespa. Como não é possível comprar cotas do Ibovespa em si, os ETFs são a opção mais próxima disso.

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Também existem outros ETFs de Ibovespa, como:

  • BBOV11;
  • IBOB11;
  • XBOV11;
  • BOVB11;
  • BOVV11;
  • BOVS11;
  • BOVX11.

O que muda entre cada um é sua administração, que é feita por diferentes gestoras, e as taxas associadas. Você pode conferir esses detalhes buscando por “Ibovespa” na lista de ETFs da B3.

Conclusão

Como você viu, o índice Ibovespa é mais do que um indicador de investimentos da renda variável. Com um longo histórico e dezenas de empresas de alta relevância em sua composição, ele é uma importante referência sobre o movimento do mercado atual e também está associado a diversos ativos.

Assim, para quem investe em ações, vale a pena conhecer o índice da bolsa de valores e suas características associadas. Esses dados são bons indicativos de análise e ajudam a tomar decisões mais acertadas.

Perguntas frequentes

  1. O que significa o Índice Ibovespa?

    O índice Ibovespa é um indexador do mercado de capitais brasileiro. Ele representa uma carteira teórica dos principais ativos negociados na B3, a bolsa de valores do país.

  2. O que são os pontos no Ibovespa?

    A pontuação determina a cotação do índice, sendo que cada ponto equivale a R$ 1.

  3. Dá pra investir no Índice Ibovespa?

    Não diretamente, pois o Ibovespa é uma carteira teórica. Porém, é possível negociar contratos futuros de índice ou aplicar seu dinheiro em um ETF que replica seu movimento, como o BOVA11.

  4. Qual a diferença entre Bovespa e Ibovespa?

    Bovespa é o antigo nome da bolsa de valores brasileira. A sigla se refere à Bolsa de Valores de São Paulo. Em 2008, ela se fundiu à Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) e, em 2017, à CETIP, formando a atual configuração da B3. Por sua vez, o Ibovespa é o índice mais importante da B3, que representa as empresas mais negociadas da bolsa.

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