Mesmo diante de apelos ao incentivo à literatura, parece que os livros realmente ficarão ainda mais caros em território nacional com o aumento do imposto sobre livros. Isso deve acontecer caso a primeira etapa da reforma tributária do Governo Federal, enviada recentemente ao Congresso, seja aprovada. 

Desta forma, o setor passará a perder a isenção de recolhimento de contribuição, e passará a contabilizar uma taxa de 12% sobre suas atividades. Com o imposto sobre livros, a estimativa é a de que o valor dos livros tenha um acréscimo de até 20% no valor final.

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Conforme Alexandre Martins Fontes, responsável pela Livraria Martins Fontes, para uma tiragem de livros ser considerada vantajosa dentro do setor ela precisa contar com, pelo menos, cinco mil edições. Entrevista foi dada ao G1.

Em média, a tiragem tiragem inicial no País está em torno de três mil exemplares, segundo Alexandre. Informações são de reportagem do G1.

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Como é calculado o valor de um livro?

O preço de capa de um livro, aquele que encontramos nas livrarias, costuma ser sugerido às editoras com base em duas situações distintas. Ele leva em consideração o cálculo objetivo de todos os custos que envolvem a produção do material e a percepção de quanto é o valor agregado daquele item. 

Entre o valor final de um livro, existem alguns percentuais específicos que costumam ser divididos entre diversos profissionais que fazem com que eles cheguem ao consumidor de maneira facilitada.

Desta forma, podemos mencionar percentuais médios, como:

  • 50% de margem de lucro para as livrarias e distribuidores responsáveis pela comercialização dos livros;
  • 15% de despesas administrativas, entre salários, marketing e outros;
  • 10% de direitos autorais pagos aos autores da obra;
  • 10% de custos industriais, entre eles capa, tradução, ilustração, etc;
  • 5% para perdas, como estoques e contas a receber;
  • 5% de lucro para a editora.

Segundo Fontes, o cálculo de venda dos livros é sempre realizado de acordo com a região onde está sendo comercializado. 

“Se um exemplar custa R$ 50 para o consumidor final, ele é vendido para uma livraria pelo valor médio de R$ 25”, mencionou em entrevista ao G1.

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Como subiu o valor dos livros?

Se compararmos os valores cobrados em 2006, com os vendidos atualmente, em 2020, o preço dos livros sofreu um reajuste médio de até R$ 5,00.

Entretanto, considerando a inflação nesse período, o crescimento é ainda maior. Isso, porque a inflação acumulada atrelada ao IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) entre julho de 2006 a julho de 2020 foi de 107%. 

Com isso, um livro que era vendido no valor de R$ 14,20 em 2006, custaria nos dias de hoje, R$ 29,48.

“Se você pegar um livro semelhante como o Código Da Vinci, vendido na época à exaustão, no valor de R$ 4,90, certamente hoje, ele seria comercializado próximo aos R$ 80. Essa, foi a diferença do quanto um livro acabou ficando mais acessível nos últimos anos”, disse.

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Como o imposto sobre livros impacta setor?

Com o pagamento dos impostos no setor literário, além de encarecer ainda mais o conteúdo escrito, os valores que são amplamente divididos neste mercado, se tornarão ainda mais complicados. 

O que ajudou bastante o aumento do consumo de livros no país, foi a sensação da cobrança do Pis/Pasep e do Cofins, autorizada em meados de 2004. E mesmo que a contribuição não seja imune, a alíquota cobrada atualmente, é zero. 

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