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Gasto excessivo com aluguel: número de famílias pressionadas dobrou desde 2004

Isabella Proença
Isabella Proença
casa em miniatura e moedas, representando gasto excessivo com aluguel

Diversos fatores influenciam no gasto excessivo com aluguel, que ocorre quando o gasto com habitação representa grande parte do ganho mensal. Entenda.

O gasto excessivo com aluguel é realidade em muitos lares brasileiros. Desde 2015, o número de famílias que têm mais de 30% da renda total comprometida com essa despesa habitacional dobrou.

De acordo com um estudo da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), no ano passado a quantidade de famílias com renda de até 3 salários mínimos (R$ 3.135) com essa conta era de 3,3 milhões.

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Com isso, o número de moradias necessárias para que o déficit habitacional fosse zerado era de 7,8 milhões.

Segundo o mesmo estudo da Abrainc, em 2004, o número de famílias na mesma situação era de 1,5 milhão.

Dessa forma, há uma contradição, pois a piora no indicador de acesso à moradia bate com o período de estreia e estabilização do programa Minha Casa Minha Vida, cujo objetivo era proporcionar uma melhoria.

Consequências do gasto excessivo com aluguel

O aumento de famílias com gasto excessivo com aluguel, denominado como ônus elevado, impediu que houvesse uma diminuição mais expressiva no déficit habitacional ampliado.

No estudo da associação foi utilizado um conceito criado pela Fundação José Pinheiro que, além de englobar a falta de moradia, também inclui a inadequação do acesso e das próprias instalações.

Alguns aspectos incluídos no déficit restrito são cômodos ocupados por mais de uma pessoa e moradias antigas e precárias, nas quais mais de uma família vivem. O gasto elevado com aluguel entra no chamado déficit ampliado.

No mesmo período, houve melhoras em todos os indicadores restantes. Por esse motivo, o organizador do estudo, Robson Gonçalves, professor convidado da FGV, afirma que a compreensão das políticas habitacionais deve ter início no déficit restrito.

“O ônus com aluguel é um elemento que oscila muito e não está relacionado diretamente à qualidade ou escassez de habitação. Se uma pessoa fica desempregada, passa a gastar mais com aluguel. É um indicador que tem mais relação com a renda”, diz ele.

Políticas habitacionais no Brasil

Em agosto, o governo Bolsonaro enviou uma medida provisória ao Congresso para a criação do Casa Verde e Amarela, substituto do Minha Casa Minha Vida.

O anúncio do novo programa deu confiança ao setor de que haverá avanços na área. Porém, a situação das moradias para as pessoas mais pobres segue sem definição, pois não há previsão de novos subsídios para esses projetos.

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