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Fintechs e a pandemia, o cenário ainda é positivo?

Lucas Tavares
Lucas Tavares

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Por que esta pode ser a década de ouro para as fintechs

Há quem acredite que o mercado de fintechs brasileiro já está saturado. O Brasil tem um exército de mais de 700 fintechs. Mas os investidores continuam acreditando em seu crescimento: elas receberam mais de US$ 900 milhões em investimentos apenas no último ano. Nem esta pandemia provocada pelo novo coronavírus ameaça a expansão das fintechs. Isso porque a oportunidade de melhorar os serviços financeiros ainda é muita, especialmente com novas regulações sendo aprovadas para estimular essa competição.

Podemos estar no começo de uma nova década de ouro para as startups que oferecem serviços financeiros. Pense em como a crise de 2008 também preparou o terreno para as fintechs surgiram na década passada. Nós vamos olhar principalmente para essa oportunidade no mercado de crédito, seja para pessoas físicas ou para pessoas jurídicas.

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Por que as fintechs se tornaram tão importantes?

A ascensão das startups de serviços financeiros é um movimento relativamente recente. Por aqui, as fintechs começaram por volta de 2011. Elas foram beneficiadas pela expansão da banda larga e dos smartphones. Hoje, cada brasileiro passa cerca de quatro horas por dia mexendo na telinha do celular. Na maioria das vezes, apenas por passatempo. Mesmo assim, isso abriu margem para a criação de empresas focadas na atuação completamente digital.

Essas startups de serviços financeiros enfrentaram uma alta concentração em mercados como o crédito. Segundo o Banco Central, os quatro maiores bancos conglomerados bancários do país (Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal) fecharam 2017 com 78,5% do setor.

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Quais são os diferenciais das Fintechs

Com menor orçamento do que os grandes bancos, as fintechs trocam a estrutura de agências físicas e um grande quadro de funcionários por uma estratégia digital, focada em poder de marca e em serviços tornados convenientes, transparentes e fáceis de usar por meio da tecnologia.

Mas as fintechs não apenas trouxeram um novo padrão de atendimento e de serviços. Elas também incluíram muitas pessoas no mundo financeiro, antes desatendidas pelo risco de crédito ou pelas baixas margens financeiras proporcionadas às instituições financeiras.

O movimento é especialmente verdade em regiões emergentes, como África, Ásia e a própria América Latina. Muitos consumidores nessa região começaram a ser incluídos na internet e a acessar serviços vitais por meio dos smartphones, incluindo ferramentas financeiras. As fintechs não oferecem apenas conveniência a essa parcela da população, mas uma forma de atender a uma necessidade que teria sido deixada de lado.

Apenas o Brasil possui cerca de 45 milhões de desbancarizados. Vamos pensar, por exemplo, no crédito. Esses milhões de desbancarizados brasileiros são considerados arriscados e têm financiamentos negados em bancos ou varejistas tradicionais. Outro exemplo são as pequenas empresas, que apresentam dificuldades de conseguir financiamento pelo risco associado a fundadores de primeira viagem. Os bancos possuem outros milhões de clientes que podem oferecer um custo-benefício melhor.

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As fintechs de créditos, financiamentos e negociações de dívidas viabilizam empréstimos e financiamentos a pessoas físicas e jurídicas para aquisição de bens, redução de custos financeiros, crédito pessoal, crédito consignado e capital de giro. Muitas fintechs focam justamente nos desbancarizados e nas PMEs, usando tecnologias como big data e inteligência artificial para analisar melhor os candidatos e estimar mais precisamente seu perfil de risco.

Fazer uso de uma estrutura completamente digital, até completamente mobile, reduz os custos fixo e melhora as margens financeiras da fintech. Dessa forma, esses empreendimentos conseguem preencher de forma sustentável uma lacuna de crédito que não seria atendida por instituições maiores.

Até mesmo startups fora do universo de serviços financeiros estão aproveitando a oportunidade de fornecer crédito para quem antigamente era desatendido. Na Ásia, os aplicativos de logística Grab e Gojek oferecem empréstimos aos seus entregadores e motoristas. Por aqui, a também startup de logística CargoX oferece financiamento para transportadoras comprarem novos caminhões.

A pandemia do novo coronavírus e as fintechs

Para as próprias fintechs, a crise pode ter forçado a necessidade de tornar a equipe ainda mais enxuta e conviver com uma falta de captações com investidores. Mas também proporcionou a chance de provar como seus serviços são essenciais para o funcionamento da sociedade.

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Esta pandemia só acentuou a necessidade de serviços que possam ser acessados de forma 100% digital. O acesso a crédito nunca foi tão necessário para os desbancarizados e para pequenas empresas, mas a quarentena impõe restrições ainda maiores de acesso por meios tradicionais. São públicos especialmente afetados pela crise econômica derivada da pandemia, com obrigação de fechamento temporário de muitos negócios e desemprego decorrente.

Como será o futuro das fintechs?

Por mais que as fintechs tenham amadurecimento na última década, ainda há muito espaço a ser explorado pelas startups de serviços financeiros. Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central e hoje parte da equipe do Nubank, já havia afirmado há três anos que a transformação do mercado financeiro nos próximos dez anos será “devastadora, no bom sentido”. “Os bancos ainda são muito focados em agências, papel e excesso de pessoas”, disse. “O público está buscando formas criativas, mais cômodas e baratas de fazer transações financeiras”.

A pandemia fez tais sentimentos crescerem, inclusive entre pessoas que não estavam acostumadas a contratar serviços financeiros digitalmente. As fintechs não atendem mais apenas os millenials, e devem se preparar para receber esse aumento de demanda e novos perfis de usuários. O governo já está preparando o terreno para a competição. No crédito, a regulamentação chegou em 2018. Open banking e pagamentos instantâneos são as novidades mais recentes.

Assim como a crise de 2008, é o momento de pensarmos de forma empreendedora sobre os serviços financeiros. Essa é a opinião também de Milind Mehere. O empreendedor viu seus investimentos derreterem em 2008. Então, criou uma plataforma que ajudassem outras pessoas a alcançarem a independência financeira. A YieldStreet foi reconhecida como a 14ª empresa privada que mais crescia nos Estados Unidos em 2019. “A próxima década será a década de ouro para as fintechs”, disse. “Mesmo hoje, a infraestrutura de pagamentos segue a mesma de década de 1950, 1960. (…) Como vamos engajar as pessoas e nos tornar mais educativos? O mobile nos permite isso,”

O comportamento do consumidor está mudando e as regulações governamentais estão avançando para estimular a concorrência nos serviços financeiros. Agora é a hora de empreender nesse mercado. Esta pode ser a nova década de ouro para as fintechs.

Achou interessante a visão do autor? Deixe seu comentário e nos conte como você enxerga o futuro das fintechs.

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