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Estudo mostra que famílias poupam mais na pandemia, mas investimento ainda é desafio

Heloísa Vasconcelos
Heloísa Vasconcelos
cofrinho representando famílias poupam mais

Com a pandemia, famílias gastaram menos e poupam mais. Apesar disso, grande parte do recurso ainda vai para a poupança, e não para investimentos mais robustos.

O ano de 2020 trouxe uma realidade nova para muitas famílias, que agora poupam mais em um cenário de rendas menores e não priorização de gastos como lazer e viagens.

Segundo o estudo “A Poupança Precaucional da covid-19: o Desafio de seu Aproveitamento”, que será publicado na revista Conjuntura Econômica, do Ibre/FGV, pelos economistas José Roberto Afonso e Thiago Abreu, a poupança das famílias deve ficar mais gorda.

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Os especialistas calcularam que o valor guardado deve passar de 13,5% de suas rendas para 20,2% neste ano. Apesar disso, muito do recurso guardado ainda vai para a poupança e não para investimentos mais robustos, sobretudo na área de infraestrutura.

Com informações do Valor Econômico.

Famílias poupam mais em 2020

Conforme os economistas, crises normalmente levam pessoas a terem comportamentos mais conservadores em relação ao dinheiro, levando-as a poupar mais. 

Na pandemia, porém, um fator se somou para as famílias pouparem mais: as políticas de isolamento e distanciamento social. Mesmo em casos em que poupar dinheiro não era exatamente uma necessidade, as pessoas foram impedidas a realizar alguns gastos.

“No mundo inteiro, a poupança das famílias alcançou números impressionantemente altos”, disse Afonso ao Valor. Segundo ele, a pandemia mudou a forma de as pessoas consumirem. 

Dados do Banco Central (BC) apontam um ingresso líquido de R$ 37,2 bilhões em recursos na caderneta de poupança apenas no mês de maio. Em setembro, houve captação de outros R$ 13,2 bilhões, e o estoque superou pela primeira vez na história a marca de R$ 1 trilhão.

Necessidade de investir em infraestrutura

Os economistas alertam que apesar de dinheiro estar sendo poupado, ele não está sendo direcionado para onde é necessário. 

“O grande desafio macroeconômico é transformar essa poupança em investimento, sobretudo fixo”, aponta Afonso. “E que, com isso, se consiga disparar o processo de criação de renda e emprego”, completa.

A reportagem traz dados da taxa de investimento no PIB. Por volta dos anos 2000, cerca de 20% do PIB estava em investimentos. Essa taxa, porém, tem caído ao longo dos anos. Em junho do ano passado, taxa estava em 15,47%.

E a porcentagem tem sido ainda maior no caso de investimentos em infraestrutura. Desde 2%, a taxa tem ficado abaixo de 2%.

“Cabe construir um novo arranjo institucional e financeiro para compartilhar entre setor privado e público projetos de investimento, a partir de formatos diferenciados de financiamento, implantação e posterior operação”, resumem Afonso e Abreu.

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