ETF de criptomoedas: em qual vale a pena investir?

Quer investir em ETF de criptomoedas? Entenda como essa modalidade de investimento funciona e saiba se vale a pena.

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Melissa Nunes

Se você já está familiarizado com a modalidade de investimento ETF, talvez esteja curioso para entender mais sobre um segmento mais recente, o ETF de criptomoedas.

Esse é um investimento bastante novo, que chega como alternativa à compra direta de moedas como o Bitcoin e outras, trazendo mais segurança ao investidor. Afinal, os ETFs já são conhecidos e estão entre as principais aplicações financeiras da bolsa de valores.

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Para saber mais sobre essa modalidade, criamos este post. Aqui, você verá os principais detalhes, saberá quais alternativas valem a pena e como começar a investir seu dinheiro.

O que é um ETF de criptomoedas?

Para entender o que é um ETF de criptomoedas, é necessário conhecer dois detalhes. O primeiro é a sigla ETF, que significa Exchange Traded Funds, ou fundos de índice. Em poucas palavras, é um fundo de investimento que tem por objetivo seguir um índice específico do mercado.

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Já as criptomoedas são moedas digitais descentralizadas. Por isso, são protegidas por criptografia. Elas são criadas na chamada blockchain. Essa tecnologia consiste em uma rede de sistemas que permite o compartilhamento de informações. Elas estão salvas em pedaços de códigos, que formam blocos de dados. Por sua vez, eles criam correntes de dados. Daí vem o nome blockchain. Todas as operações são seguras com essa tecnologia.

A grande vantagem é que as criptomoedas oscilam muito. Essa volatilidade permite que seu valor seja elevado de maneira significativa. Tanto é, que várias pessoas ficaram ricas ou tiveram ganhos exponenciais com o Bitcoin, a moeda digital mais conhecida.

Assim, um ETF de criptomoedas é um fundo de índice que é composto por uma ou várias moedas digitais. Ao contrário das moedas em si, os fundos de índice podem ser um pouco mais estáveis. Por isso, os ETFs de criptomoedas são uma modalidade de investimento atrativa para quem não quer correr os riscos associados ao investimento direto.

Para saber mais sobre ETFs e como eles funcionam, veja este artigo: O que são ETFs? Conheça os principais e veja como investir!

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Quais os ETFs de criptomoedas listados na B3?

Os fundos de índice de criptomoedas são negociados pela bolsa de valores brasileira, a B3. Atualmente, são negociados 44 ETFs de renda variável, mas nem todos são de moedas digitais.

Quando citamos especificamente os ETFs de criptomoedas, as opções disponíveis são, até o momento:

  • BITH11;
  • HASH11;
  • ETHE11;
  • QBTC11;
  • QETH11.

Cada um deles tem suas características, sendo que a maioria acompanha os movimentos de uma moeda específica, como Bitcoin e Ethereum, enquanto o HASH11 é composto por uma cesta mais diversificada.

Conheça cada um dos ETFs de criptomoedas

Esses investimentos são oferecidos por diferentes gestoras, que são responsáveis por investir os recursos de terceiros a partir de uma estratégia definida.

Todas essas empresas são registradas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Além disso, aderem à autorregulação da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

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Conheça as gestoras que oferecem os ETFs de criptomoedas.

Gestora Hashdex

logo da gestora hashdex

A gestora Hashdex foi a primeira a lançar um ETF de criptoativos, o HASH11. Isso fez com que se destacasse no mercado e a empresa se apresentasse como a maior da América Latina.

A administração das carteiras é feita pelo BTG Pactual e a auditoria é realizada pela KPMG. As duas entidades são bastante conhecidas no mercado financeiro.

Veja quais são os seus ETFs disponíveis para entender como investir em criptomoedas por meio deles.

HASH11

O HASH11 foi o primeiro fundo de índice baseado em criptomoedas. Ele replica o Nasdaq Crypto Index (NCI), que recebe influência do movimento do mercado de criptoativos.

O fundo tem 95% do seu patrimônio aplicado em cotas do Hashdex Nasdaq Crypto Index ETF ou em posições compradas no mercado futuro. O objetivo é ter retornos equivalentes ao NCI em reais e antes de despesas e taxas.

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Atualmente, o HASH11 tem mais de 120 mil cotistas e um patrimônio líquido que supera R$ 2 bilhões. Além disso, há uma taxa de administração de 1,3% ao ano.

O valor da cota, no fim de agosto de 2021, era de cerca R$ 46,00, ainda abaixo do seu valor de estreia, que ocorreu em 26 de abril. Como a maior parte da composição do seu índice é em Bitcoin, a alta volatilidade da moeda afeta bastante o valor da cota do ETF. Mesmo assim, o fundo possui 8 moedas, ao total:

  • Bitcoin;
  • Ethereum;
  • Litecoin;
  • Chainlink;
  • Bitcoin Cash;
  • Stellar Lumens.

Desses, Bitcoin e Ethereum somam cerca de 95% do índice, sendo os outros 5% divididos entre as outras moedas.


HASH11 ou QBTC11: qual o melhor ETF de criptomoedas?


BITH11

Anunciado como o primeiro ETF verde de Bitcoin do Brasil, o BITH11 é um fundo de índice focado totalmente nessa moeda. Ele foi criado com o propósito de neutralizar as emissões de carbono gerada pela mineração da criptomoeda. Seu benchmark é o Nasdaq Bitcoin Reference Price (NQBTC) em reais, antes de despesas e taxas.

O índice da Nasdaq foi desenvolvido para embasar o preço de referência do Bitcoin em tempo real. Para alcançar esse patamar, 95% ou mais do patrimônio é aplicado em cotas do Hashdex Nasdaq Bitcoin ETF.

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Esse fundo de índice aplica em ativos financeiros negociados e/ou emitidos no exterior ou em posições compradas no mercado futuro.

A taxa de administração do BITH11 equivale a 0,7% ao ano e o patrimônio líquido é de R$ 70 milhões. Sua cota, no fim de agosto de 2021 ficou em torno de R$ 60,00.

ETHE11

O ETHE11 é um ETF de criptomoeda que investe no Ethereum, o segundo maior ativo digital em valor de mercado. A sua blockchain é a principal plataforma para apps descentralizados, como corretoras descentralizadas (DEX), tokens não fungíveis (NFTs), finanças descentralizadas (DeFi) e Web3.

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O objetivo do fundo é equivaler ao Nasdaq Ethereum Reference Price (NQETH), em reais e antes de despesas e taxas. Esse índice foi criado para fornecer o preço de referência da moeda em tempo real.

Para alcançar o benchmark, a aplicação é de 95% ou mais do patrimônio em cotas do Hasdex Ethereum ETF. A alocação é feita em ativos emitidos e/ou negociados no exterior ou em posições compradas no mercado futuro.

A taxa de administração é de 0,7% ao ano. O patrimônio líquido é de R$ 108 milhões. No fim de agosto de 2021, sua cota custava cerca de R$ 51.

Gestora QR Asset Management

logo da gestora qr asset

A QR Asset Management se apresenta como a maior gestora 100% criptoativos da América Latina e é administrada pela Vórtx DTVM LTDA.

O site aponta que sua carteira tem R$ 837 milhões em ativos e mais de 30 mil clientes diretos e indiretos. Até o momento, a gestora tem 2 ETFs de criptomoedas disponíveis na B3, um focado em Bitcoin e outro em Ethereum.

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QBTC11

A gestora destaca o QBTC11 como o primeiro ETF 100% Bitcoin da América Latina, tendo estreado na B3 em 23 de junho de 2021. Seu índice de referência é o CME CF Bitcoin Reference Rate, de autoria da maior bolsa de derivativos do mundo, a Chicago Mercantile Exchange Group.

A taxa de administração do fundo é de 0,75% ao ano e seu patrimônio líquido é de R$ 170 milhões. A cota foi negociada em R$ 16 no fim de agosto de 2021, sendo uma das alternativas mais baratas para expor a carteira de investimentos ao Bitcoin.


QBTC11 ou BITH11: qual ETF de bitcoin vale mais a pena?


QETH11

É definido como o primeiro ETF de Ethereum da América Latina, tendo como referência o índice CME CF Ether Reference Rate, também utilizado pelo CME Group, como o anterior. Ele estreou na B3 em 4 de agosto de 2021, portanto ainda bastante novo.

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A sua taxa de administração é de 0,75% ao ano e o patrimônio líquido fica em torno de R$ 118 milhões. No fim de agosto, sua cota foi negociada a cerca de R$ 12, tornando o investimento em Ethereum bastante acessível aos investidores brasileiros.

Qual ETF de criptomoedas vale mais a pena?

É difícil trazer uma resposta única, porque tudo depende do que você procura. É importante considerar algumas questões antes de definir o melhor ETF para investir.

Primeiro, o ativo negociado. A Ethereum é uma moeda digital similar ao Bitcoin, mas tem objetivos diferentes. Enquanto o Bitcoin é escasso, ela funciona como uma incentivadora para o registro e o funcionamento dos smart contracts. Na prática, isso significa que esses ativos são relevantes e não competem entre si. Portanto, é possível investir em ambos.

Outra questão são os fundos propriamente ditos, que têm características diversas. Veja, na tabela a seguir, os detalhes resumidos de cada ETF de criptomoedas.

Código do ETFÍndice de referênciaComposiçãoTaxa de admValor aproximado

HASH11

Nasdaq Crypto Index (NCI)

8 moedas

1,3% a.a.R$ 46

BITH11

Nasdaq Bitcoin Reference Price (NQBTC)

100% Bitcoin

0,7% a.a.R$ 60

QBTC11

CME CF Bitcoin Reference Rate

100% Bitcoin

0,75% a.a.R$ 16

ETHE11

Nasdaq Ethereum Reference Price (NQETH)

100% Ethereum

0,7% a.a.R$ 51

QETH11

CME CF Ether Reference Rate

100% Ethereum

0,75% a.a.R$ 12

Dessa forma, podemos chegar à algumas conclusões:

  • o HASH11 proporciona maior diversificação da carteira e, portanto, menor volatilidade. Por outro lado, tem a maior taxa de administração;
  • o QBTC11 e o QETH11 são os mais acessíveis, já que o valor de suas cotas é bastante baixo em comparação aos outros fundos;
  • o BITH11 e o ETHE11 têm as menores taxas de administração, apesar de suas cotas custarem um pouco mais.

Portanto, para escolher o melhor ETF de criptomoedas para você, pense sobre quais seus objetivos ao fazer esse investimento, o que você considera mais importante e o valor disponível para investir. Assim, você consegue tomar uma decisão mais acertada e corre menos risco de se arrepender futuramente.

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Outras formas de investir em criptomoedas

Além dos Exchange Traded Funds, existem outras oportunidades para aplicar seu dinheiro em moedas digitais. Entenda como investir em criptomoedas de duas formas diferentes.

Comprar a moeda diretamente

Nesse caso, você se cadastra em uma corretora que negocia criptomoedas, também chamadas de exchanges. Existem várias opções no mercado e é preciso ficar atento para escolher aquelas que são regulamentadas e fugir de um possível golpe financeiro.

A partir disso, você transfere determinada quantia para a conta da exchange. Em seguida, basta fazer as operações, de forma parecida com a compra e a venda de ações.

Como o mercado é bastante volátil, os investidores costumam negociar com foco no curto prazo. Os traders chegam a comprar e vender uma posição no mesmo dia, mas nada impede que esse seja um investimento de longo prazo, similar à uma reserva de valor.

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A vantagem dessa opção é poder escolher em quais modalidades deseja aplicar o capital. Por outro lado, é preciso fazer um acompanhamento mais próximo e ter mais conhecimento sobre seus riscos.

Além disso, é preciso fazer o armazenamento, já que não é recomendado que se guarde as moedas na própria corretora. Aqui, existem algumas opções:

  • hot wallets: são conectadas à internet. Como podem sofrer invasões, são mais recomendadas para transações simples;
  • cold wallets: não são conectadas à internet. Por isso, é mais indicado para quem deseja manter os ativos na carteira por um período mais longo.

Dentro das cold wallets, existe a paper wallet. Essa é uma forma de armazenamento que permite realizar sua impressão. É uma alternativa disponível para as principais criptomoedas.

Comprar via fundos de investimento

Aqui, não há a compra direta. No entanto, existem alguns benefícios, como a compra pelas corretoras comuns e as proteções regulatórias. Além disso, é mais fácil entender os aspectos tributários e de custódia.

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Uma boa vantagem é que as carteiras são formadas por gestores qualificados. Eles buscam as melhores opções para garantir o máximo rendimento possível e você não precisa se preocupar em negociar as moedas em si.

A desvantagem é que há menos potencial de valorização alta. Outro ponto negativo é o resgate, que pode ser de vários dias até você conseguir reaver o dinheiro investido.

Ainda existem as taxas de administração e de performance. Essas segundas são cobradas apenas em alguns casos e somente quando o gestor ultrapassa o chamado benchmark, que é um índice de referência. Ainda assim, é importante considerar, porque diminui o seu rendimento. Nas opções verificadas, as gestoras não informam se há taxa de performance.

Várias corretoras têm fundos de criptomoedas. As opções são:

Como investir em ETF de criptomoedas?

Agora que você já conhece os ETFs de criptomoedas disponíveis na B3, talvez tenha se interessado em investir em algum deles. Para isso, o processo é bastante simples:

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  1. escolha o(s) ETF(s) de sua preferência;
  2. abra ou acesse sua conta em uma corretora de valores que esteja conectada à bolsa;
  3. acesse o seu home broker e digite o código do ativo escolhido (por exemplo, HASH11);
  4. escolha a quantidade de cotas que deseja comprar e o preço;
  5. clique em “comprar” e aguarde até sua ordem ser executada.

Pronto! Em 2 dias o ETF aparece na sua custódia na corretora. Caso deseje vendê-lo posteriormente, é só fazer o mesmo processo e clicar em “vender”.

Vale lembrar que ETFs não são isentos de IR e, por isso, uma alíquota de 15% do lucro se aplica na venda. Para pagá-la, o investidor deve gerar uma DARF online e fazer o pagamento no seu banco de preferência.

Conclusão

Como você viu ao longo deste post, investir em ETF de criptomoedas é uma opção bastante viável. As aplicações iniciais são baixas e essa é uma forma de diversificar a sua carteira.

Porém, é preciso ver se essa opção atende às suas necessidades. Nem todo investidor tem perfil para alocar seu capital nessa modalidade.

Além disso, é recomendado optar por outras alternativas ao mesmo tempo. Uma carteira formada somente por fundos de índice é pouco interessante para uma estratégia de longo prazo. Afinal, o risco é mais elevado do que em outras aplicações financeiras.

Assim, tudo isso precisa ser colocado na balança antes de você decidir pelo ETF de criptomoedas. Então, que tal fazer sua escolha?

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