Alta nos preços dos alimentos mesmo com inflação baixa? O que pode não fazer sentido à primeira vista, tem explicação. Isso se deve às mudanças nos hábitos de consumo durante a pandemia. O vilão da vez é o arroz, cujo aumento chegou a 25%.

“As pessoas passaram a consumir mais alimentos em casa” disse o professor da PUC-Rio, Eduardo Zilberman, em entrevista ao Valor Econômico.

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As informações são do Valor Econômico e da Exame.

Alta nos preços dos alimentos: como é composto o IPCA

Na última quarta-feira, 9, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto, que ficou em 0,24%. 

Até agora, a inflação acumulada no ano é de 0,46%, bem abaixo da meta do Banco Central (BC) para 2020.

O IPCA é a inflação oficial do país e tem hoje como referência a cesta de consumo das famílias de 2017/2018. Isso porque ela só é atualizada a cada cinco ou dez anos.

Além de alimentos, o IPCA é composto por itens como habitação, transporte, vestuário e educação. A diferença está, portanto, no impacto e no peso da alimentação no bolso de cada um.

Enquanto os mais pobres podem gastar mais de 20% ou 30% do salário com alimentação, os mais ricos gastam menos de 10%, de acordo com o IBGE.

“Desta forma, a deflação de educação e vestuário e a desaceleração de habitação atenuaram o aumento dos preços de alimentos”, explica o professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Paraná, Auberth Venson, em entrevista ao Exame.

Governo dá prazo para supermercados se explicarem sobre aumento

Depois que o presidente Jair Bolsonaro pediu para que os supermercados tenham “patriotismo”, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) notificou as empresas de produção e distribuição sobre a alta nos preços dos alimentos, em especial, de itens básicos como arroz e feijão. Elas terão cinco dias para se posicionar, contando a partir da última quarta-feira, 9.

Caso haja indícios de abuso nos preços, a Senacon, que é ligada ao Ministério da Justiça, “poderá investigar e sancionar administrativamente os incidentes como infrações aos direitos dos consumidores”. As multas podem ultrapassar R$ 10 milhões.

Em nota divulgada na última terça-feira, 8, a Associação Paulista de Supermercados (APAS), disse que “tem reforçado, desde o início da pandemia, para que os supermercados associados não aumentem suas margens de lucro e repassem aos consumidores apenas o aumento proveniente dos fornecedores, de modo que possamos assegurar o emprego dos nossos colaboradores e garantir que a população tenha alimentos de qualidade à disposição”.

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