Entenda qual o impacto das eleições dos EUA na economia brasileira

Desde a última terça-feira, 3, o mundo aguarda a apuração dos votos da maior potência mundial. Você sabe como as eleições dos EUA podem impactar a economia brasileira?

Heloisa Vasconcelos
Heloísa Vasconcelos

As eleições dos Estados Unidos (EUA) ocorreram na última terça-feira, 3. Apesar disso, até a noite desta sexta-feira, 6, ainda não há um resultado definido de quem ganhou. 

A incerteza tem impactado o mercado. A Ibovespa hoje operou em queda, assim como demais bolsas internacionais, diante das expectativas de um resultado que não veio. 

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Ademais, a economia brasileira pode ser impactada dependendo de quem for eleito presidente: Trump ou Biden. E, para além do posto mais alto do país, a decisão sobre o Senado é importante para o mercado.

Entenda os possíveis cenários e como isso pode ter efeito no seu bolso.

Cenário de incerteza nas eleições dos EUA e o impacto na economia brasileira

Desde a última terça-feira o mundo vive uma incerteza sobre quem será eleito presidente dos Estados Unidos. O país utiliza voto por papel e tem modalidade de voto pelos correios, o que atrasa a contagem do resultado.

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Atualmente, a maior potência do mundo é governada pelo republicano Donald Trump, que tem como principal rival no pleito o democrata Joe Biden.

Caso o atual presidente consiga se reeleger, o governo continuará na mesma linha, seguindo a recuperação econômica após a pandemia. Esse crescimento impacta o comércio internacional e também o Brasil, que é o principal exportador de manufaturados do país.

Para o professor de economia do Ibmec São Paulo Walter Franco, a vitória de Biden poderia trazer um certo atraso devido ao período de adaptação no governo.

“A continuidade dessa política do Trump, para mim, é muito mais vantajosa. Já o Biden teria esse atraso, tem período de contestação, período de expectativa. Isso tudo pode desaquecer a economia americana e levar a um desaquecimento das exportações, investimentos e práticas bilaterais”, analisa.

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Política ambiental brasileira caso Biden ganhe

Um ponto relevante caso Biden chegue à vitória é a pressão sobre a política ambiental brasileira, o que pode enfraquecer a relação entre os dois países.

A forma como o governo Bolsonaro tem tratado questões ambientais tem sido criticada por outros países e a crítica deve ser mais incisiva caso o democrata ganhe a corrida à Casa Branca.

“A política ambiental de Bolsonaro pode colocar barreira nas importações brasileiras”, considera o  professor titular do instituto de relações internacionais da Universidade Federal de Brasília (UNB) Eduardo Viola.

Caso haja diminuição nas importações, o impacto é sentido diretamente no PIB brasileiro, o que poderia significar menos dinheiro para investir em áreas como saúde, educação e segurança.

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Apesar da possibilidade, o professor de economia e comércio internacional da universidade Mackenzie, Marcos Andrade, discorda que influencia venha a ser decisiva.

“Estamos em uma fase de retomada de internacionalização, isso independe de ter os Estados Unidos como um mercado parceiro. Não vou dizer que ter os EUA como aliado não é algo determinante, mas temos que olhar que a própria política do Trump não é uma política de abertura comercial”, pondera.

A influência do Senado das eleições dos EUA no mercado

Para além da Presidência, o mercado presta atenção nos candidatos eleitos ao Senado. Já que provavelmente os democratas não terão a completa maioria em Câmara, Senado e Presidência, a chance de conseguirem aprovar medidas como aumento de impostos é praticamente eliminada, o que ajuda o mercado.

Eduardo Viola destaca que caso Biden tenha uma maioria no Senado ele poderia cumprir seu programa em várias áreas, com economia aberta e aumento do salário mínimo americano. “Isso poderia dar um maior impulso ao crescimento econômico mundial, embora isso a longo prazo traz problemas porque aumenta dívida pública”, percebe.

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“O mercado prefere em geral, tanto doméstico como internacional, prefere o Biden. Mas o mercado também teme um aumento da intervenção do estado na economia, com impostos, regulações. Nesse sentido, a preferência do mercado é presidente Biden, Câmara democrata e o Senado republicano”, opina.

Impacto na valorização do dólar

O dólar tem estado bastante valorizado em relação ao real. Nesta sexta-feira, 6, a moeda fechou em R$ 5,36.

Para os especialistas, o resultado das eleições dos EUA não deve ter impacto quanto à valorização ou desvalorização da moeda. Eles consideram que a regulação do real tem muito mais a ver com a tomada de políticas necessárias por parte dos governantes brasileiros e aspectos macroeconômicos.

“Se o governo brasileiro tivesse isso bem estabilizado, o volume de investimento estrangeiro seria muito maior. É uma questão muito maior interna brasileira de fazer ajustes fiscais e cumprir as metas”, concorda Marcos Andrade.

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Como a relação entre os dois países pode ser modificada?

Até o fechamento desta reportagem, os resultados apontavam para uma vitória do democrata Joe Biden, que tinha 264 votos eleitorais contra 214 do republicano.

Para os especialistas, muito mais do que a vitória de Trump ou Biden, o que mais importa é o comportamento do Brasil diante disso.

Bolsonaro e Trump têm tecido uma relação próxima nos últimos anos, o que corroborou para a entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e para acordos militares. 

Mas, economicamente, a saída do “amigo” do presidente brasileiro não deve ter impactos tão grandes. 

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“É um processo muito natural que o Brasil vai ter que entender, de maneira alguma a relação Brasil-EUA vai ser estremecida com a mudança de presidente. A relação está muito superior. O capital americano investido no Brasil é o maior em estoque. O problema da economia brasileira está mais ligado à nossa capacidade de enfrentamento dos nossos problemas com seriedade”, aponta Walter Franco.

O resultado muda o cenário para quem quer investir nos EUA?

Segundo a análise de especialistas da XP Investimentos, a resposta é não.

O país, independente do presidente eleito, seguirá como uma das maiores economias do mundo. Do ponto de vista macroeconômico, a dependência do mundo com o dólar, somado à habilidade dos EUA em emitir quantidades elevadíssimas de dívida sem que haja uma grande reação do mercado, são enormes vantagens ao país.

Vendo pelo lado micro, os setores de Tecnologia, Farmacêuticas, Biotecnologia e vários outros colocam o mercado americano na frente de outros no mundo. Isso porque empresas que conseguem crescer acima da economia têm sido bastante favorecidas pelos investidores.

Logo, o modelo de negócio de empresas globais e lideres como Microsoft, Apple, Facebook, Google, JP Morgan, Netflix e várias outras não deve ser muito diferente em um governo Biden ou Trump.

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