Brasil deve perder 300 mil vagas de emprego em 2020, estima Guedes

O desemprego no Brasil deve seguir em alta até o final de 2020, com estimativa de perda de 300 mil vagas, segundo o Ministério da Economia.

Rodrigo Salgado
Rodrigo Salgado

Apesar da retomada na criação de novos postos de trabalho nos últimos meses, o desemprego no Brasil deve seguir em alta até o final de 2020, estima o ministro da Economia, Paulo Guedes.

“Nós vamos possivelmente chegar ao final deste ano perdendo 300 mil empregos, que dizer, 20% do que perdemos nos anos de 2015 e 2016. No ano que enfrentamos a maior crise da nossa história, uma pandemia global (sic), vamos perder entre um quinto e um terço dos empregos perdidos na recessão anterior”, disse o ministro durante seminário virtual Visão do Saneamento – Brasil e Rio de Janeiro, promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), na manhã desta segunda-feira, 23.

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Nesse sentido, até setembro deste ano, o Brasil havia perdido 558 mil empregos formais. O cálculo é feito subtraindo as admissões das demissões. No total do primeiro semestre, auge da pandemia, foram quase 1,2 milhões de postos de trabalho perdidos.

A recuperação começou a vir entre julho e setembro, quando houve a criação de mais de 700 mil vagas nesse período, de forma crescente. “Está para sair a qualquer momento [os dados de] outubro. Eu nem acredito que vá continuar nesse ritmo tão acelerado. É natural que dê uma desacelerada”, completou.

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Apesar de alto, o número ainda é inferior aos de 2015 e 2016, quando o Brasil perdeu 1,5 e 1,3 milhão de empregos, respectivamente. Foi o maior índice de desemprego no Brasil em mais de 20 anos.

Ainda de acordo com o ministro, a retomada da economia está ocorrendo em todas as regiões brasileiras. “A economia voltou em V, como esperávamos. O FMI [Fundo Monetário Internacional] previa uma queda de 9,5% do PIB [Produto Interno Bruto] brasileiro. Vai ser bem menos que a metade”, afirmou Guedes.

“Quebradeira” de empresas e desemprego no Brasil

Em outro evento também nessa segunda-feira, o ministro afirmou que nos dois primeiros anos de mandato enxugou os gastos do governo e que agora, enfim, seguirá a agenda de reformas e privatizações.

Guedes defendeu a aprovação de propostas de consenso entre Executivo e Legislativo até o final desse ano. “Boa candidata a isso é a lei de falências. Está no meio de uma quebradeira de empresas. Vamos aprovar uma lei de falências porque isso protege os empregos, as empresas se levantam rapidamente”, salientou.

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A proposta de lei de falências foi aprovada em maio deste ano na Câmara dos Deputados, como medida de mitigação para a pandemia do coronavírus. Além disso, Guedes ainda citou como boas candidatas de pauta comum o marco regulatório do gás natural e cabotagem e a PEC Emergencial de controle de gastos.

Ademais, o ministro afirmou que na agenda econômica do governo ainda consta a abertura da economia brasileira para o comércio internacional, por meio de acordos comerciais, e a aprovação de reformas.

Segunda onda da Covid-19 e auxílio emergencial

Por fim, Guedes ainda falou sobre a Covid-19 nessa segunda. O ministro afirmou que as contaminações pela doença diminuíram, mas que pode estar havendo um “repique”. “São ciclos”, disse.

Questionado sobre o auxílio emergencial, o ministro afirmou que não pretende prorrogar o benefício. Ele disse haver pressão política pela extensão, mas que a área econômica está preparada para o caso de uma segunda onda.

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“A economia está voltando forte, a doença está descendo. […] Se houver evidência empírica, se o Brasil tiver de novo mil mortes, tiver uma segunda efetivamente, nós já sabemos como reagir”, completou.

No último dia 10, Guedes afirmou que o retorno do benefício seria possível em caso de segunda onda.

As últimas parcelas do auxílio emergencial serão pagas no próximo mês. Ainda assim, não há perspectivas para um novo programa social que venha a substituir.

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