O nível de desemprego no Brasil apresentou alta no período de março a maio de 2020. No total, a taxa chegou a 12,9%, com registro de 12,7 milhões de pessoas sem uma vaga no mercado de trabalho. O dado foi publicado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE.

No trimestre de dezembro de 2019 a fevereiro de 2020, o percentual era de 11,6%. Portanto, o crescimento foi de 1,3 ponto percentual. Quando comparado ao mesmo período de 2019, a taxa registrada agora também foi maior. Antes, era de 12,3%, ou seja, 0,6 ponto percentual mais baixa.

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Percentual da população ocupada

Desde que começou a ser desenvolvida, a Pnad Contínua também registrou o menor percentual de pessoas ocupadas em idade de trabalhar. O índice ficou em 49,5%, o que representou 85,9 milhões de pessoas. Essa foi a primeira vez que o levantamento ficou abaixo de 50%.

Percentual da população desocupada

O IBGE destacou que a crise que ocorre em 2020 trouxe efeitos negativos ao mercado de trabalho no Brasil. Há 368 mil pessoas a mais sem emprego no trimestre terminado em maio. A comparação é com o trimestre imediatamente anterior.

Com relação ao mesmo trimestre de 2019, houve uma queda de 8,3% no total da população desocupada. Ainda assim, 7,8 milhões estavam nessa condição, sendo que 5,8 milhões eram informais.

Taxa de informalidade no Brasil

O nível do indicador de informalidade foi de 37,6%, o menor resultado da série histórica, iniciada em 2016. Esse grupo inclui pessoas:

  • sem carteira assinada e que trabalham no setor privado ou são empregados domésticos;
  • sem CNPJ, que sejam empregadores ou autônomos;
  • sem remuneração, que trabalham para a família.

No trimestre de dezembro de 2019 a fevereiro de 2020, o índice foi de 40,6%. Por sua vez, entre março e maio de 2019, a taxa era mais elevada e chegava a 41%.

Segundo a analista da Pnad Contínua, Adriana Beringuy, “numericamente nós temos uma queda da informalidade, mas isso não necessariamente é um bom sinal. Significa que essas pessoas estão perdendo ocupação e não estão se inserido em outro emprego. Estão ficando fora da força de trabalho”.

Rendimento médio da população

Com a queda do número de trabalhadores informais, houve um aumento no rendimento médio dos brasileiros. O motivo é que esse grupo de pessoas tende a ganhar menos. Como consequência, a renda apresentou alta de 3,6% e chegou a R$ 2.460, a maior desde o começo da série histórica.

Percentual por atividade

Os resultados da Pnad Contínua por setores de atividades apontam que a maior redução no número de pessoas ocupadas foi para o setor de comércio e reparação de veículos. Esse segmento teve retração de 11,1%, o que representou 2 milhões de empregados a menos.

Apesar disso, em percentuais, os outros setores também tiveram diminuições expressivas. Na indústria, a queda foi de 10,1%, com 1,2 milhão de pessoas perdendo seus empregos. Por sua vez, a construção teve uma diminuição de 16,4%, o que representou 1,1 milhão de trabalhadores.

O segmento dos trabalhadores domésticos também sofreu impactos significativos. No total, o Brasil tem aproximadamente 5 milhões de pessoas atuando nessa área. No entanto, 18,9% perderam seus contratos, o que levou à diminuição de 1,2 milhão de trabalhadores no mercado.

Taxa de subutilização

A subutilização chegou a 27,5% dos trabalhadores brasileiros. No total, são 30,4 milhões de pessoas nessa condição, um recorde histórico. Em comparação com dezembro de 2019 a fevereiro de 2020, a alta foi de 4 pontos percentuais. Esse índice considera pessoas:

  • desocupadas, ou seja, que não trabalham, mas procuraram uma vaga nos 30 dias anteriores à Pnad Contínua;
  • que gostariam de trabalhar mais horas por dia;
  • que querem trabalhar, mas não procuraram uma vaga nos 30 dias anteriores ao levantamento, ou fizeram uma busca, mas não estavam disponíveis para entrar no mercado de trabalho no momento da pesquisa.

A Pnad Contínua é realizada pelo IBGE a cada 3 meses. Dessa vez, foram entrevistadas 211.344 residências em 3.500 municípios.

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