Como declarar fundos de investimento no Imposto de Renda – Seu guia completo!

Aprenda como declarar fundos de investimento no Imposto de Renda, quais aplicações devem integrar a declaração e o passo a passo para evitar erros básicos!

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Melissa Nunes

Como declarar fundos de investimento no Imposto de Renda

Aprender como declarar fundos de investimento no Imposto de Renda é fundamental para evitar problemas com a Receita Federal no futuro.

Na verdade, o fato de possuir uma carteira de aplicações não necessariamente enquadra o investidor na obrigatoriedade de declaração de bens. No entanto, deixar de incluir investimentos ou preencher os documentos de maneira errada pode trazer complicações futuras e dores de cabeça.

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Por isso, o iDinheiro preparou um guia especial para te ensinar como declarar fundos de investimento no Imposto de Renda corretamente e ficar em dia com o governo.

Nesse artigo, você vai saber:

  • como funciona o IR nos fundos de investimento;
  • quando é necessário declarar seus fundos de investimento;
  • quais são os documentos necessários para a declaração; e
  • o passo a passo para declarar seus fundos.

Vamos lá?

Como funciona o Imposto de Renda nos fundos de investimento?

Antes de aprender como declarar fundos de investimento no Imposto de Renda, vamos entender como funciona a cobrança de IR.

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A princípio, é importante destacar que a obrigatoriedade de declaração do Imposto de Renda não significa, necessariamente, que os valores serão tributados. Isso porque existem diversos casos, inclusive com aplicações financeiras, que são isentos de cobrança ou cobrados na fonte. Ou seja, precisam apenas ser declarados.

Quanto aos fundos de investimentos, eles são separados em quatro categorias que precisam constar no Imposto de Renda.

Confira mais detalhes sobre cada uma delas a partir de agora:

Investimentos de curto e longo prazo

Os fundos de curto prazo, como o nome indica, são aqueles com vencimento inferior a 365 dias. Um dos principais exemplos são aplicações de renda fixa.

Por outro lado, as aplicações de longo prazo são aquelas cujo vencimento supera 365 dias, como fundos multimercado.

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É importante realizar essa distinção, pois existe a incidência de alíquotas diferentes para cada categoria.

De acordo com a tabela, os valores para aplicações de curto prazo são de:

  • 22,5% para duração de até 180 dias;
  • 20% para duração de mais de 180 dias.

No entanto, as alíquotas para fundos de longo prazo possuem uma maior faixa de variação:

  • 22,5% para duração de até 180 dias;
  • 20% para duração de 181 a 360 dias;
  • 17,5% para duração de 361 a 720 dias;
  • 15% para duração superior a 720 dias.

Diante disso, vale salientar que essa cobrança não é feita na declaração, mas sim no resgate do fundo e, no caso dos fundos de curto e longo prazo, através do “come-cotas”.

O “come-cotas” nada mais é do que uma antecipação do IR que acontece nos meses de maio e novembro, quando o fundo realiza um resgate parcial das cotas do investidor para pagar a alíquota de 15%. Esse processo é automático e você não precisa fazer nada.

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Assim, caso você resgate seu dinheiro antes do prazo de 720, pagará apenas a diferença entre o que deve e o que já foi descontado.

Fundos de ações

Como o nome indica, os fundos de ações são provenientes de investimentos na Bolsa de Valores.

Nesse caso, a alíquota é fixa em 15%, independentemente do prazo de aplicação, sendo cobrada apenas no momento do resgate, diretamente na fonte.

Então, na declaração, você vai apenas incluir o fundo e seus rendimentos.

Fundos de Índice (ETF)

Os fundos de índice, ou Exchange Traded Fund (ETF), é um fundo que se baseia em um índice da bolsa. Dessa forma, o objetivo é atingir rendimentos iguais ou superiores ao indicador utilizado como comparativo.

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Assim como nos outros fundos, o imposto do ETF, que é de 15%, já fica retido na fonte, de modo que não é necessário realizar o pagamento do documento de arrecadação, apenas incluir a aplicação no IRPF.

Fundos Imobiliários (FII)

Os rendimentos dos Fundos de Investimento Imobiliário (FII) são isentos de tributação caso o investidor:

  • tenha participação menor que 10%;
  • participe de um fundo com mais de 50 cotistas.

Assim, basta incluir a aplicação no documento de declaração anual e prosseguir com as demais etapas.

No entanto, é importante se atentar para uma segunda situação envolvendo os fundos imobiliários: caso tenha ocorrido a venda das cotas, o investidor deverá pagar, via DARF, o equivalente a 20% de IR sobre o lucro da operação. Caso haja prejuízo, não há necessidade de pagar nada.

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Nesse caso, você precisa declarar os lucros ou prejuízos das operações, além da custódia e dos rendimentos recebidos.

É necessário declarar fundos de investimento no Imposto de Renda?

Depois de conhecer um pouco mais sobre as categorias de investimentos que devem compor o DIRPF, é importante definir quando é necessário declarar esses ativos.

Basicamente, a declaração de bens é obrigatória para todas as pessoas que se enquadram nas seguintes determinações:

  1. ter registrado recebimentos acima de R$ 28.559,70 em 2020;
  2. ter rendimentos isentos, tributados exclusivamente na fonte ou não tributáveis acima de R$ 40.000;
  3. possuir receita bruta maior que R$ 142.798,50 em atividade rural;
  4. possuir propriedade de bens com valor acima de R$ 300.000;
  5. ter realizado aplicações financeiras na bolsa de valores, mercadorias ou semelhantes;
  6. ter vendido um imóvel residencial e usado o recurso para comprar outro imóvel dentro do período de 180 dias;

Em relação aos fundos de investimento, fique atento às condições 2 e 4. Porém, se você se encaixa em qualquer uma dessas definições, vale a pena declarar qualquer tipo de investimento que tenha, mesmo que não seja obrigatório.

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Assim, você fica tranquilo quanto a problemas futuros, já que não terá que explicar à Receita Federal “de onde saiu” um dinheiro a mais na sua conta.

Quais documentos são necessários para declarar fundos de investimento no Imposto de Renda?

Para declarar fundos de investimento no Imposto de Renda, o contribuinte deve informar dados básicos, como:

  • CPF;
  • nome completo;
  • data de nascimento;
  • endereço;
  • recibo da declaração do ano anterior;
  • título eleitoral.

Além disso, também é preciso fazer o download do programa do Imposto de Renda atualizado, disponível no site da Receita Federal.

No entanto, para realizar a inclusão de aplicações financeiras, também existe a necessidade de providenciar os informes de rendimento, disponibilizados pelo banco ou corretora de valores responsável.

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Isso porque as informações de saldo e rendimento devem ser completadas a partir dos dados desses informes (e eles também facilitam muito esse processo).

Como declarar fundos de investimento no Imposto de Renda?

Depois de confirmar a obrigatoriedade de declaração e providenciar todos os documentos, chegou o momento de aprender como declarar fundos de investimento no Imposto de Renda.

Após instalar o programa de Imposto de Renda e preencher seus dados ou importar da declaração anterior, existem dois passos para declarar seus fundos de investimento:

  • declarar o saldo dos fundos;
  • declarar os rendimentos recebidos.

Veja, a seguir, o passo a passo para incluir essas informações.

Declarar o saldo do fundo

1. Selecione a ficha de “Bens e Direitos”.

captura de tela do programa de declaração de imposto de renda destacando a ficha de bens e direitos

2. Em seguida, clique no botão “Novo”. Você verá a tela abaixo. Caso tenha importado a declaração anterior, basta clicar em “Editar”.

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captura de tela do programa de declaração de imposto de renda destacando a inclusão de dados na ficha de bens e direitos

3. Selecione o código correspondente ao fundo de investimento em questão.

Os códigos são:

  • 71 para fundos de curto prazo;
  • 71 para fundos de longo prazo;
  • 73 para fundos imobiliários;
  • 74 para fundos de ações e índice (ETF).
captura de tela da ficha bens e direito e inclusão de novos dados

Em seguida, preencha os demais espaços do formulário, indicando o proprietário do bem, a localização e o CNPJ da administradora.

Na discriminação, o contribuinte pode incluir informações sobre a fonte pagadora, incluindo identificação do administrador e outros dados pertinentes. Tudo isso consta no informe de rendimentos.

Antes de salvar, preencha os dados de “Situação em 31/12/2019”, caso se aplique, ou apenas para 2020.

Por fim, basta salvar e verificar se a inclusão do bem consta na ficha de declaração.

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2. Declarar os rendimentos do fundo

1. Acesse a ficha “Rendimentos sujeitos à tributação exclusiva/definitiva”.

captura de tela do programa de declaração de imposto de renda destacando aba de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva/definitiva

Obs: para declaração de Fundos de Investimento Imobiliário é preciso optar pela ficha “Rendimentos isentos e não tributáveis”.

captura de tela do programa de declaração de imposto de renda destacando aba de rendimentos isentos e não tributáveis

2. Em seguida, selecione o botão “Novo” e inclua o código do investimento:

  • 06 para fundos de investimento de curto e longo prazo, ações e índice;
  • 26 para fundos imobiliários na ficha de não tributáveis.
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Assim como no procedimento anterior, preencha todas as informações antes de salvar.

É fundamental se atentar para os dados da fonte pagadora, para não ter problemas com a malha fina posteriormente. Lembre-se que essas e outras informações estão disponíveis nos informes de rendimento.

Por fim, basta finalizar o preenchimento e confirmar a inclusão na ficha.

Conclusão

Como você viu, realizar a declaração do Imposto de Renda é obrigatório para diversas pessoas, inclusive contribuintes que possuem investimentos diversos.

Então, aprender como realizar esse procedimento da maneira correta proporciona uma série de benefícios, e, especialmente, evita complicações com a Receita Federal.

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Por isso, não tenha medo de declarar seus investimentos. Você apenas está informando ao governo o que são e onde estão seus bens. Assim, se um dia precisar justificar algum ganho proveniente dessas aplicações, terá tudo explicado na declaração.

Enfim, esperamos que esse passo a passo tenha ajudado a facilitar seu processo de preenchimento na DIRPF. Vale a pena reunir os documentos e fazer tudo com calma e atenção para não precisar fazer nenhuma retratação futuramente.

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