Abrir uma empresa no Brasil pode levar de apenas 7 a mais de 34 horas, dependendo do estado. É o que revela o Mapa da Burocracia no Brasil, estudo da Adobe Acrobat que mapeou o tempo de formalização de empresas em todas as unidades federativas no segundo quadrimestre de 2025.
A diferença entre os estados mais rápidos e o mais lento chega a 386%. Piauí e Sergipe lideram o ranking, com tempo médio de aproximadamente 7 horas, seguidos pela Bahia, com cerca de 10 horas. Na outra ponta, São Paulo tem o pior desempenho, com média de 34 horas.
Apesar das diferenças regionais, o Brasil avançou na redução da burocracia nos últimos anos. O tempo médio nacional para abertura de empresas caiu de 29 horas, em 2023, para 21 horas em 2025, uma redução de 28%. Nos últimos três quadrimestres, porém, a média permaneceu estável, indicando uma desaceleração dos ganhos obtidos com a digitalização dos processos.
Cidades também apresentam diferenças
A velocidade de abertura varia ainda mais entre os municípios. Barras, no Piauí, lidera o ranking nacional, com tempo médio de apenas 43 minutos, seguida por Piracuruca, também no Piauí, com 52 minutos.
Segundo o estudo, a automação e a integração dos sistemas à Redesim estão entre os principais fatores que explicam o desempenho das cidades mais rápidas. Em contrapartida, sete dos dez municípios mais lentos do país estão em São Paulo.
São Paulo concentra empresas e também o maior tempo de abertura
Além de apresentar o maior tempo médio para abertura de empresas, São Paulo também lidera em volume de novos negócios. O estado registrou aproximadamente 494 mil empresas abertas no segundo quadrimestre de 2025.
O principal gargalo está na etapa de registro empresarial, realizada pela Junta Comercial. Enquanto a análise de viabilidade leva cerca de 5 horas, o registro demora aproximadamente 1 dia e 5 horas.
Brasil bate recorde de novas empresas
O país registrou 5,1 milhões de novos negócios formalizados em 2025, segundo levantamento do Sebrae em parceria com a Receita Federal. O número representa um crescimento de 18,6% em relação a 2024 e o maior volume da série histórica.
Os pequenos negócios continuam dominando o empreendedorismo brasileiro: Microempreendedores Individuais (MEIs), Microempresas e Empresas de Pequeno Porte responderam por cerca de 96% das novas empresas abertas no ano. O MEI, sozinho, representou aproximadamente 3,8 milhões de registros.
Apesar do recorde de abertura, a sobrevivência dos negócios continua sendo um desafio. Segundo o Sebrae, cerca de um terço dos MEIs abertos entre 2017 e 2022 encerrou as atividades em até cinco anos.