O colchão de liquidez do Tesouro tem apresentado quedas neste ano, chegando cada vez mais próximo ao limite prudencial. Aumento no déficit público em razão da pandemia e piora nas condições de mercado justificam condição.

O limite prudencial, equivalente a cerca de três meses de vencimentos do dinheiro investido no Tesouro Direto, está próximo. Antes da pandemia, o Tesouro afirmava ter em caixa o equivalente a seis meses de vencimentos, sem especificar um valor exato.

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Para especialistas, situação para este ano ainda não é alarmante, mas pode piorar nos primeiros meses de 2021 caso situação não se reverta.

Informações são do Valor Econômico.

Colchão de liquidez do Tesouro cai; o que isso significa?

A queda do colchão de liquidez significa, basicamente, que o dinheiro em caixa do Tesouro está acabando.

Isso ocorre, principalmente, porque o valor do déficit público está indo muito além do que havia sido planejado. No conceito primário (que exclui a conta de juros da dívida), ele é de cerca de R$ 800 bilhões, praticamente seis vezes o que era projetado antes da pandemia, de R$ 129 bilhões

O caixa do Tesouro paga os resgates de pessoas que investiram em títulos do tesouro direto. Para garantir pagamentos, estabelece-se um limite prudencial de três meses de vencimentos.

Neste ano, a despeito da redução do caixa, não haverá problemas para fazer frente aos vencimentos. Até o fim do ano, os vencimentos somam pouco mais de R$ 250 bilhões. Porém, situação pode ser mais preocupante para os quatro primeiros meses de 2021: até lá, são ao menos R$ 443 bilhões de vencimentos previstos. 

Como aumentar colchão de liquidez?

O Tesouro está neste momento a espera de cerca de R$ 400 bilhões de resultado do Banco Central com o câmbio, que deverá bater na conta única em setembro. Com esse recurso, colchão de liquidez pode se tornar, digamos assim, mais confortável.

Além disso, Tesouro pode receber cerca de R$ 170 bilhões de um projeto do deputado Mauro Benevides (PDT-CE) a respeito da desvinculação das receitas de dezenas de fundos públicos (fundo da marinha mercante, por exemplo) que tendem a desaparecer.

Contexto

Em julho o Tesouro teve um volume de vencimentos da ordem de R$ 220 bilhões, e não conseguiu renovar sua totalidade. Isso sinaliza uma redução de caixa de cerca de R$ 70 bilhões, tornando colchão de liquidez ainda mais próximo do limite.

O déficit primário é outro ponto que ajuda a redução da reserva. Nos últimos três meses, a média mensal de resultado foi negativa em quase R$ 140 bilhões. E, conta deve permanecer elevada, tendo em vista as medidas de combate à pandemia.

A previsão é que déficit tenha um resultado primário negativo da ordem de R$ 800 bilhões neste ano, praticamente o dobro do verificado no primeiro semestre deste ano.

Apesar disso, ainda não há um problema de financiamento de dívida.

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