Uma das principais empresas credenciadoras de cartões, a Cielo registrou pela primeira vez um prejuízo de R$ 75,2 milhões no segundo trimestre deste ano, desde sua fundação, em 1995. O resultado, inclusive, pode ser comparado ao lucro de R$ 166,8 milhões no primeiro trimestre deste ano e ainda mais expressivo se comparado ao mesmo período do ano anterior, onde a empresa registrava um lucro de R$ 428,5 milhões. 

Esses resultados são consequência da crise provocada pelo novo coronavírus, que acabou impactando diretamente nos negócios da empresa, já que muitos estabelecimentos se mantiveram fechados durante o período de isolamento social. 

Continua após a publicidade


A credenciadora de cartões controladas pelas instituições do Banco do Brasil e Bradesco, somou um volume de transações de R$ 128 bilhões, uma queda de 19,9% em apenas um trimestre e de 22,2% se comparada em um ano. 

Informações de acordo com a Cielo

De acordo com a documentação enviada pela Cielo à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a companhia informou que até o final de 2019, mantinha a trajetória de crescimento de acordo com o planejamento. Isso incluía um aumento de 9% em seu volume de transações, representando um montante de R$ 683 bilhões, e de 18% de base de clientes, para o crescimento de 1,6 milhões.

Entretanto, com a crise houve um fechamento de até 50% do comércio varejista em momentos de crise, inviabilizando os planos da empresa e transformando os números em resultados negativos.

A Cielo também disse esperar que esses resultados voltem a melhorar com a retomada da economia nos próximos trimestres e que em dezembro, possa fechar o ano com números positivos. 

Projetos da empresa

De acordo com o vice presidente de Finanças da Cielo, Gustavo Souza, os números apresentados pela empresa não podem ser vistos de maneira deficitária “Estruturalmente, a margem é um pouco diferente dos números apresentados”.

Desta maneira, a empresa também anunciou recentemente a criação de uma estrutura para cuidar de crédito, com base em projetos pilotos que aconteceram no ano passado e que resultaram em mais de R$ 100 milhões de recebíveis como garantia.

Embora o produto concorra com o portfólio de acionistas do Banco do Brasil e do Bradesco, possui o apoio das instituições para que entre em funcionamento e atraia mais consumidores. Porém, o projeto especificamente ainda não foi revelado pela empresa. 

Cielo e seu Reposicionamento de mercado 

Por conta da crise atual e seu modelo de negócios que demorou para acompanhar as inovações tecnológicas a respeito de soluções de pagamentos através de cartões de crédito, a Cielo vem enfrentando a crise buscando rentabilidade e posicionamento diferenciado.

Segundo analistas, a companhia vem vivendo uma “tempestade perfeita”, mesmo com a perda líquida de R$ 75 milhões no último trimestre. Isso, porque a empresa vem se posicionando em vendas através de máquinas de cartões mais simplificadas, além de depender exclusivamente das taxas de vendas do comércio tradicional.

Porém, alguns especialistas acreditam que a empresa, por ser uma das mais importantes do mercado, vem fazendo esse movimento de maneira tardia. A Getnet, representada pelo concorrente Santander, anunciou ontem que o objetivo é o de obter 15% de participação no mercado de varejo até o final do ano. 

Quer continuar acompanhando as novidades sobre o mercado? Não deixe de assinar a newsletter do iDinheiro.