Com o corte do Copom (Comitê de Política Monetária) na taxa Selic pela quarta vez consecutiva, fazendo com que alcance o patamar histórico de 2%, o Brasil passa a se consolidar como um dos países a contar com uma taxa de juros negativo real.

Isso acontece por conta do cálculo da taxa da inflação anual (IPCA), juntamente com a taxa Selic, “taxa mãe” da economia brasileira. Na prática, uma aplicação financeira que renda atualmente 100% da taxa Selic, nos próximos doze meses passará a ter um rendimento abaixo da inflação esperada pelo mercado financeiro para o mesmo período. 

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Entretanto, o Banco Central já havia dando indícios de que ainda exista espaço para mais cortes da taxa Selic no mercado, principalmente após as consequências provocada pela pandemia do novo coronavírus. 

“Devido a questões prudenciais de estabilidade financeira, consequentemente, eventuais ajustes futuros no atual grau econômico devem acontecer com cautela. e dependerão da percepção sobre a trajetória fiscal, assim como novas informações que alterem a avaliação do Copom sobre a prospecção do mercado”, disse o Copom em comunicado oficial. 

Entretanto, o corte mais agressivo da taxa já deve ter ficado para trás, segundo o próprio órgão. “a menos que a taxa de inflação fuja completamente do controle nos próximos meses”. 

Os juros reais no Brasil

De acordo com os cálculos realizados pela gestora do Infinity Asset Management, o juro real no Brasil já estava negativo, marcando um percentual aproximado de -0,40%, considerado a taxa Selic no patamar de 2,25%. Com isso, o Brasil ficou bastante próximo de outros países como Portugal, Suécia e Índia, e acima de gigantes europeus como Itália e Espanha, que marcam o percentual de -0,30%.

Para se ter uma noção do atual cenário, em um ranking com aproximadamente 40 economias afetadas diretamente pelo coronavírus, o Brasil passou da 20º para a 26º posição, superando nações como Austrália e Nova Zelândia. 

Até o fechamento da pesquisa, apenas doze países demonstraram resultados positivos, como Argentina (2,53%) e México (1,20%).

Sobre o corte da Selic

Para o Copom, o corte da Selic era algo esperado, e os investidores devem se programar para conviver com taxas abaixo das habituais até, pelo menos, o final de 2021. 

“A perspectiva é a de que o fundo do poço já passou e que o ambiente de incerteza deverá ser reduzido aos poucos, mitigando novos sobressaltos econômicos e projetando taxas de inflação para o ano de 20211 bem abaixo do que estamos habituados. 

Expectativa de juro real futuro

Enquanto isso, os especialistas do mercado acreditam que a previsão da inflação de 2021, juntamente com o juro real, seja o de aproximadamente 3%, pelo que demonstrou, inclusive, o último relatório divulgado pelo Boletim Focus. 

Caso a expectativa da inflação utilizada seja a de 22020, a taxa de juro real ainda se manteria positiva, marcado a quantia aproximada de 0,36%.

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