Com a crise causada pela pandemia neste ano, o Brasil pode se ver diante de uma situação inédita. Por conta da forte recessão do Produto Interno Bruto (PIB), o País pode terminar o ano em débito após 120 anos. 

De acordo com os números recentes divulgados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), o PIB brasileiro deve recuar cerca de 9,1% em 2020, enquanto a expectativa do Banco Central Nacional é a de 6,2%.

Caso esses números se tornem realidade, a retração média será marcada pela quantidade de 0,3% entre 2011 e 2020. 

De acordo com Marcelo Balassiano, pesquisador do Instituto de Economia da Fundação Getúlio Vargas, esse reflexo vem apenas para acentuar a forte crise vivida na década passada, a qual a recuperação não havia sido plena. 

“Entre o período de 2011 e 2013, o PIB cresceu em torno de 3%. Porém, nos últimos sete anos, o resultado vem sendo cada vez pior. Podemos dizer, inclusive, que essa seria uma década perdida sem o coronavírus. A crise causada pela pandemia apenas agravou ainda mais uma história que não era favorável”, analisou.

Se o cenário atual for analisado diante de outros países, a situação se torna ainda mais alarmante. Porém, Balassiano credita os prejuízos internos a uma série de decisões erradas. 

“O nosso desempenho negativo nessa década precisa ser creditado mais a nós mesmos do que por conta de fatores externos envolvendo o resto do mundo. Porém, não podemos negar que 2020 será um dos piores anos da história em vários países diferentes”.

“Década perdida”

Entretanto, essa não é a primeira vez que analistas consideram uma década da economia brasileira como perdida para o crescimento das finanças e desempenho interno.

Nos anos de 1980, o Brasil também viveu um período instável com a política internacional bastante conturbada e o final da ditadura militar em solo nacional, transformando o cenário da época em um ambiente completamente hostil.

Na ocasião, a taxa média do PIB foi de 1,6% ao ano entre os períodos de 1981 a 1990.