Análise de investimentos: o que é e quais os principais métodos de avaliação

Entenda o que é e como é feita uma análise de investimentos, conhecendo os principais métodos e suas aplicações nos seus investimentos.

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Melissa Nunes

Análise de investimentos: o que é e quais os principais métodos de avaliação

 

Quando compramos algo, esperamos que esse “algo” nos dê algum tipo de retorno, concorda? Pode ser um retorno monetário, como quando adquirimos um instrumento de trabalho, mas também pode ser um momento de lazer, como quando compramos uma televisão ou um livro.

Quer dizer, não importa o formato, mas sempre esperamos algo em troca daquilo pelo qual pagamos.

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E isso é especialmente importante quando uma empresa investe capital em um projeto novo ou quando investimos nosso próprio dinheiro na bolsa de valores, por exemplo. Mas, como saber se o investimento escolhido vai nos dar o retorno esperado?

Esse é justamente o princípio da análise de investimentos! Vamos entender como funciona?

O que é a análise de investimentos?

A análise de investimentos nada mais é do que o uso de alguns métodos e cálculos que ajudam a identificar a viabilidade de retorno de um investimento, seja ele feito por uma empresa ou por nós, pessoas físicas, com nosso próprio dinheiro.

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Por isso, ela é uma ótima ferramenta para auxiliar na tomada de decisão, demonstrando aspectos relevantes do investimento, como risco e rentabilidade.

Porém, antes de falar sobre os diferentes métodos, é importante pontuar conceitos que precisamos entender para fazer uma boa análise de investimentos.

Quais conceitos é importante entender antes de analisar?

Antes de tudo, cabe destacar que os métodos de análise são baseados em alguns conceitos-chave, e, por isso, vamos falar sobre eles a seguir:

Lucro

Quando uma empresa nasce, por mais que haja um propósito a ser alcançado, ela não pode existir por muito tempo sem que gere capital. É isso que chamamos de lucro e é isso que esperamos ter por meio dos nossos investimentos.

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Basicamente, o lucro é o resultado da diferença que sobra entre a receita recebida e as despesas e custos do produto ou projeto. Assim:

Lucro = receitas líquidas – custos operacionais

A partir desse resultado, podemos também calcular a margem de lucro (em porcentagem), dividindo o lucro encontrado pelas receitas líquidas e multiplicando por 100%:

cálculo da margem de lucro

Na bolsa de valores, quando uma empresa gera lucro, o mesmo é distribuído aos seus acionistas em forma de dividendos ou juros sobre capital próprio (JCP). Uma empresa que não gera lucro também não paga nada aos investidores.

Liquidez

Quando falamos em liquidez dos investimentos, podemos interpretar como a facilidade em recuperar nosso dinheiro. Quanto mais fácil, mais alta é a liquidez do investimento. Nesse sentido, o tempo é um fator importante, pois pode estar associado à baixa liquidez.

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Já a liquidez de uma empresa, ou, ainda, seus índices de liquidez, são indicadores de análise de crédito. Eles revelam o quanto a empresa possui em recursos disponíveis para quitar suas dívidas, ou seja, é a sua capacidade de pagamento.

É bastante normal que uma empresa tome dívidas para ter capital para crescer, mas também é importante que ela possua dinheiro suficiente para pagar seus credores. Por isso, o índice de liquidez diz muito sobre a saúde financeira de uma empresa.

Basicamente, analisamos esse índice assim:

Índice de liquidez…

  • maior do que 1: a empresa possui recursos mais do que suficientes para cumprir com suas dívidas.
  • igual a 1: os recursos à disposição da empresa são iguais às contas que ela tem para pagar.
  • menor do que 1: a empresa não teria recursos suficientes caso precisasse quitar todas as suas obrigações no curto prazo.

Ainda assim, o índice de liquidez, sozinho, pode não dar uma imagem real à situação da empresa. Por isso, precisamos levar em consideração o setor de cada negócio, bem como outros indicadores.

Inflação

Em termos simples, a inflação é o aumento generalizado dos preços de produtos e serviços. Apesar de não parecer agradável, é saudável que o país tenha um índice inflacionário razoável e controlado.

No Brasil, nosso principal índice é o IPCA. Ele é calculado todos os meses e seu resultado é influenciado por diversos fatores, como demanda, custos de produção e gastos públicos.

Quando falamos em investimentos, é importante que nosso dinheiro renda sempre acima da inflação. Assim, além de não perdermos poder de compra, também acumulamos capital. Por isso, esse é um ponto relevante na análise de investimentos.

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Risco e retorno

As medidas de risco são mais subjetivas do que os conceitos mencionados acima. Isso acontece porque o risco é percebido de diferentes formas por cada pessoa e está muito ligado à aversão à perda, que é uma condição psicológica natural dos seres humanos.

Apesar disso, podemos classificar o risco em duas grandes definições:

  • Risco sistemático (não diversificável): é o risco global, ilustrado por grandes mudanças ou crises no cenário mundial (como a pandemia do coronavírus). Esse tipo de risco não pode ser diminuído.
  • Risco não sistemático (diversificável): é o risco de cada empresa ou setor, que pode ser influenciado por diversos fatores. Esse tipo de risco pode ser diminuído por meio da diversificação.

Quando falamos em investimentos, precisamos entender que o risco é proporcional ao retorno. Isso quer dizer que, quanto maior é o risco do investimento, maior será o retorno exigido. Por isso, não existe um investimento muito rentável que seja, também, muito seguro.

Quais os métodos de análise de investimentos?

Agora que já tratamos dos conceitos mais importantes, vamos falar sobre três métodos mais comuns de análise de investimentos. São eles: payback, taxa interna de retorno e valor presente líquido.

Payback

O nome, do inglês, quer dizer “pagar de volta”, ou seja, em quanto tempo o valor investido será recuperado. Via de regra, quanto maior esse tempo, menos atrativo é o investimento e maior a possibilidade de prejuízo.

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Esse é um método que trata da medida de risco do investimento, pois o payback é proporcional à sua liquidez e, por consequência, ao seu risco.

Como calcular

Esse método é o mais simples de calcular. Basta somar os rendimentos recebidos até que o resultado seja igual ao investimento inicial. Por exemplo:

  • Valor investido: R$ 10 mil
  • Rendimentos anuais: R$ 2 mil
  • Payback: 5 anos

Para chegar nesse resultado, podemos apenas somar 2 mil até chegar em 10 mil ou, então, dividir o valor investido pelos rendimentos (10.000/2.000).

Como avaliar

Basicamente, quanto maior o payback, mais tempo levará para recuperar o investimento inicial e maior o risco. Assim, o investimento se torna menos atrativo.

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Por isso, é importante estipular um tempo máximo tolerável para que esse investimento retorne e partir desse ponto de avaliação. Se o payback for maior do que esse tempo, o investimento não é viável.

Ainda assim, o cálculo, por ser simples, deixa de fora muitos fatores e não pode ser usado isoladamente. Isso porque ele não considera o valor do dinheiro no tempo (lembra da inflação?) e nem o fluxo de caixa futuro. Para isso, seria necessário considerar ajustes monetários e desvalorização do real.

O próximo método pode ajudar com isso, vamos ver?

Valor Presente Líquido (VPL)

Como o nome diz, ele representa o quanto vale o patrimônio no momento presente. É uma técnica mais complexa que o payback, pois considera o valor do dinheiro no tempo.

Nesse método, calculamos a diferença entre o valor presente dos rendimentos previstos e o valor inicial do investimento. Usamos, também, uma taxa mínima de atratividade (TMA).

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Como calcular

Para fazer esse cálculo, usamos o fluxo de caixa (entradas e saídas) de um período (tempo do investimento) e convertemos para valor presente, descontando a TMA (que é o retorno mínimo aceitável do investimento).

Vamos retomar, então, o exemplo usado para o payback:

  • Valor investido: R$ 10 mil (saída)
  • Rendimentos anuais: R$ 2 mil (entrada)

Consideremos, então, o período do investimento de 6 anos e uma TMA de 4% ao ano.

A fórmula do VPL é essa aqui:

fórmula do valor presente líquido

Mas não se assuste, pois vamos quebrá-la em partes.

Simplificando, essa fórmula é um somatório que atualiza os valores do fluxo de caixa (entradas), subtraídos do valor investido. Vamos ver isso em uma tabela para ficar mais claro:

tabela de cálculo VPL

Agora, é só somar os fluxos atualizados. Finalmente, chegamos ao resultado:

VPL = R$ 488,14

Como avaliar

A avaliação desse método não tem mistério, basta saber se o VPL é positivo, negativo ou zero:

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  • maior que zero: o investimento é viável, pois traz retorno;
  • igual a zero: o investimento é indiferente, pois não traz retorno e nem prejuízo;
  • menor que zero: o investimento é inviável, pois traz prejuízo.

Por último, vamos falar sobre um método que pode suplementar a análise.

Taxa Interna de Retorno (TIR)

O terceiro método para fazer uma análise de investimentos é a TIR. Ela é um complemento do VPL e faz com que o valor das entradas se iguale ao valor das saídas. Em outras palavras, ela é a taxa mínima de retorno para que não haja perda do valor valor investido.

Também podemos dizer que a TIR calcula a produtividade estimada do investimento.

Como calcular

Para ilustrar esse cálculo, vamos trabalhar com um exemplo bem simples:

Digamos que você fez um investimento de R$ 1.000,00 e, no fim do período de um ano, recebeu de volta esse valor e mais R$ 100,00. Nesse caso, a TIR seria de 10%, pois, se descontarmos o total de entrada (R$ 1.100,00) por 10% (1.100/1,10), teremos o valor investido. Portanto, a TIR é sempre expressa em porcentagem.

Porém, para calcular um fluxo com mais períodos (meses ou anos), precisaríamos usar uma calculadora HP12C ou o Excel, pois é preciso incluir uma função polinomial para achar o valor da taxa.

Como avaliar

Podemos comparar a TIR com a TMA mencionada no método anterior. Assim, temos os seguintes cenários:

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  • se a TIR é maior que a TMA, o VPL é positivo e o investimento é viável;
  • se a TIR é menor que a TMA, o VPL é negativo e o investimento é inviável.

Assim, a TIR reflete os ganhos reais do investimento, complementando o VPL.

Por que é importante fazer uma análise de investimentos?

Depois de entender os métodos de análise, não fica difícil compreender por que esses cálculos são importantes, certo?

Primeiramente, fazer um investimento, seja para uma pessoa física ou para uma empresa, demanda recursos que muitas vezes são escassos.

Além disso, não é incomum ver gestores (especialmente em empresas pequenas) que não adotam um bom planejamento financeiro e estratégico, o que acaba colocando a própria empresa em risco.

Assim, uma análise de investimentos pode ajudar a avaliar se a aplicação desses recursos terá um retorno esperado, se vale a pena ou não.

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Em segundo lugar, o uso desses métodos impede que a pessoa ou empresa faça uma “aposta”, trazendo muito mais segurança e diminuindo os riscos do investimento.

Conclusão

A análise de investimentos é fundamental para qualquer pessoa ou empresa que queira fazer uso dos seus recursos de forma eficiente.

Nesse texto, vimos três dos métodos existentes para fazer essa análise. Cada um desses métodos, payback, VPL e TIR, nos dá informações valiosas que podem ser muito úteis para fazer escolhas conscientes com nosso dinheiro.

Então, agora que você já sabe o que é uma análise de investimentos e quais os principais métodos de avaliação, pode aplicá-los nos seus investimentos ou da sua empresa!

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